12 de Nov de 2009

...mais nada...



Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca,
não haverão de arrancar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula é triste como um ai.
A luz de um morto não se apaga nunca!
a rua dos cataventos de
Mario Quintana

11 de Nov de 2009

...É difícil...

a todos aos que alguma vez não consegui dizer tudo, o que "tinha pra dizer" hoje, cito pp :




"É difícil não se deixar arrastar pela cegueira maniqueísta: os bons contra os maus, e só nós sermos os bons. Qualquer pessoa sabe que não é possível isolar o pensamento dos sentimentos, sobretudo quando a tensão cresce, e como escreveu alguém que sabia mais, “Há sempre um pouco de razão na loucura, e um pouco de loucura na razão”. Não consigo deixar de me tornar permeável aos que me estão mais perto, sofrer com eles, preocupar-me com eles. Não gosto de ter opiniões, quanto mais de as escrever, porque fixar uma determinação é enfraquecê-la. Detesto convencer alguém de alguma coisa, porque já estive convencido de coisas opostas. Mas abomino o relativismo do vale tudo, o egoísmo do não ter nada que ver com isso, a injustiça mesmo quando provém da simples ignorância."
pedro paixão in
a cidade depois

10 de Nov de 2009

...extremos...




Não sei voar com os pés no chão
Não sei rir sem ser até chorar
Não sei chorar sem soluçar
Não sei ficar feliz sem abrir meu sorriso largo
Sou os extremos dos meus sentimentos

Não sei amar sem ser até sofrer
Mas para a minha sorte
Apenas os poetas morrem de amor

5 de Nov de 2009

premonição



premonição ?!

adorava que me deixasses envelhecer, a teu lado

4 de Nov de 2009

..."normalidade"...


rufino


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.

Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde

27 de Out de 2009

...Como vai?!...


eu no melhor carnaval  - aaaaahahahaa
(há programas de fotomontagem fantásticos não há?!)



Me cansei de lero-lero
Dá licença, mas eu vou sair do sério. Quero mais saúde...
Me cansei de escutar ... Opiniões...
De como ter um mundo melhor

Mas ninguém sai de cima
Nesse chove-não-molha
Eu sei que agora... Eu vou é cuidar mais de miiiiiiiiiiiim!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh!...

Como vai? Tudo bem!
Apesar, contudo... Todavia, mas, porém
As águas vão rolar ... Não vou chorar ... Não!
Se por acaso morrer
Do coração... É sinal
que amei demais
Mas enquanto estou viva ... Cheia de graça
Talvez ainda faça

Um monte de gente feliz!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh!Uh! Uh!  Uh! Uh!
Uh! Uh! Uh! Uh! Uh! Uh!...Uh! Uh!

rita lee
saúde

25 de Out de 2009

...ainda que pareça tarde...


E ainda pareça tarde, ou que não seja, tanto faz se há luz e se o sol brilha nas manhãs em algum lugar: é para lá que irei! Mesmo longes, restam caminhos. Não tantos quanto sonhei, mas tantos quanto possíveis. E os possíveis só se dão na realidade: porque ela é bruta. Por isso que se lapida: porque ela é bruta!
E ainda que cansada não posso parar, não podemos, e só nos movemos se temos um norte ou mesmo um sul, qualquer ponto que não esse em que já estamos, senão morremos, sim, morremos, e há tantas formas de morrer mesmo que vivos.
Erguer a cabeça, olhar pra frente, pras coisas, pros outros, juntar os membros e sonhos espalhados, levantar!
E mesmo que seja doloroso (porque é, apesar de simples), e mesmo que seja terrível (porque é, apesar de belo), e mesmo que sejamos tão outra coisa do que desejávamos, vale viver - eu lhes digo - porque não estamos sozinhos, não estamos: basta estender os braços, ainda que pareça tarde.

22 de Out de 2009

...parece, não... é... pelo que não será...



"o que
parece insuportável
hoje,
será apenas
uma lembrança desagradável
amanhã"

...Frágil...

imagem de butterflydeath

Põe-me o braço no ombro
Eu preciso de alguém
Dou-me com toda a gente
Não me dou a ninguém
Frágil
Sinto-me frágil

Faz-me um sinal qualquer
Se me vires falar demais
Eu às vezes embarco
Em conversas banais
Frágil
Sinto-me frágil

Frágil
Esta noite estou tão frágil
Frágil
Já nem consigo ser ágil

Está a saber-me mal
Este Whisky de malte
Adorava estar "in"
Mas estou-me a sentir "out"
Frágil
Sinto-me frágil

Acompanha-me a casa
Já não aguento mais
Deposita na cama
Os meus restos mortais
Frágil
Sinto-me frágil

Frágil
Esta noite estou tão frágil
Frágil
Já nem consigo ser ágil


rui malheiro e tiago leitão
para jorge palma

19 de Out de 2009

...que te quero?!...


seria preciso o teu corpo

adormecido na minha cama

para que a noite tivesse nome



eugénia de vasconcelos

16 de Out de 2009

... Coragem até ao fim ...

imagem de uma mulher de armas
(torneio de paintball em Bruxelas)


Essa firmeza nos teus gestos delicados
Essa certeza desse olhar lacrimejado
Haja virtude, haja fé, haja saúde
Pra te manter tão decidida assim

Que segurança pra dobrar tanta arrogância
Que petulância de ainda crer numa esperança
Quem é o guia que ilumina os teus dias?
E que te faz tão meiga e forte assim

Coragem, coragem, coragem, mulher
Coragem, coragem, coragem, mulher

Como te atreves a mostrar tanta decência?
De onde vem tanta ternura e paciência?
Qual teu segredo, teu mistério, teu bruxedo
pra te manter em pé até o fim?

Coragem, coragem, coragem, mulher
Coragem, coragem, coragem, mulher

Coragem, mulher
Ivan Lins

13 de Out de 2009

Lágrimas Tristes Tomarão Vingança


Se somente hora alguma em vós piedade
De tão longo tormento se sentira,
Amor sofrera, mal que eu me partira
De vossos olhos, minha saudade.

Apartei-me de vós, mas a vontade,
Que por o natural na alma vos tira,
Me faz crer que esta ausência é de mentira;
Porém venho a provar que é de verdade.

Ir-me-ei, Senhora; e neste apartamento
Lágrimas tristes tomarão vingança
Nos olhos de quem fostes mantimento.

Desta arte darei vida a meu tormento,
Que, enfim, cá me achará minha lembrança
Sepultado no vosso esquecimento.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

Teu Só Sossego aqui Contigo Ausente


Teu só sossego aqui contigo ausente
Na casa que te veste à justa de paredes,
Tenho-te em móveis, nos perfumes, na semente
Dos cuidados que deixas ao partir,
A doce estância toda povoada
Dos mínimos sinais, dos sapatos de plinto
Que te elevam, Terpsícore ou Mnemósine,
Como uma estátua fiel ao labirinto.
Aqui, androceu da flor, o cálice abre aromas,
Farmácia chamo à tua colecção de vidros
Onde, à margem de planos e de somas,
Tenho remédio para os meus alvidros.
O chá é forte e adstringente,
O leite grosso sabe à ordenha,
E até nos quadros vive gente
À espera que a dona venha.
Porque tudo nos tectos é coroa,
No chão as traînes, os passinhos salpicados
Como o vento ainda longe de Lisboa
Escolheu a gaivota do balanço
Que no cais engolfado melhor voa:
Um vácuo, enfim, que o não será — tão logo
Chegues no ar medido e a aço propulso:
Por isso um pouco de fogo
Bate sanguíneo em meu pulso,
Pois o amor de quem espera
É uma graça a vencer.
Uma casa sem hera
É como gente sem viver.


Vitorino Nemésio,
in "Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga"

...Ausência ...

ai, se a coragem pudesse ser tatuada em mim, como tu foste...


Fala

Ouvir-te-ei
Ainda que os segredos
As amoras me chamem

Diz-me
Que existirão lágrimas para chorar
Na velhice
Na solidão

Ainda que acordes os olhos dos deuses

Fala

Ouvir-te-ei
A coragem

Alguém de nós que já não está


Daniel Faria, in "Oxálida"

12 de Out de 2009

...Montanha...


Se te abaixasses, montanha,
poderia ver a mão
daquele que não me fala
e a quem meus suspiros vão.

Se te abaixasses, montanha,
poderia ver a face
daquele que se soubesse
deste amor talvez chorasse.

Se te abaixasses, montanha,
poderia descansar.
Mas não te abaixes, que eu quero
lembrar, sofrer, esperar.


Cecília Meireles, in 'Poemas (1947)'

... Há canções intemporais ...




...e se um dia agente se encontrar... mesmo havendo muito que esperar... (eu sei que não será diferente)

9 de Out de 2009

...Detesto...

mal entendidos

metidos

oportunamente desentendidos

e desprevenidos escapuliveis

e outros que tais

sem sentidos mas muito sentidos

e idos

8 de Out de 2009

...Mensagem recebida...

Fizeste-te chegar ao meu correio electrónico,
com esta mensagem
(imagem que vale por algumas muitas palavras)
que, mesmo "ilegível",
me fez sorrir hoje...

Respondo-te aqui:
Sei sim...
Mas sabe tão bem que me lembres...

6 de Out de 2009

...Quero-te aqui...

Finalmente...ufaaa... !!! Mais de dois meses depois.... foi a primeira noite que eu e o Rafa passámos, na "casa nova". Primeiro eram os caixotes por arrumar, depois os móveis por montar, depois os electrodométicos por ligar , depois, a semana de sair ás oito e meia da noite e ter que ir a casa da avó... (ahhh) e, já não vamos de volta prá cidade que já é de noite... depois o fim de semana da festa da terrinha a trabalhar e (olha) fica-se cá que ao menos é mais perto... O feriado... sim, o feriado ainda deu pra fazer dois sacos pequeninos e fugir...
Eram nove e meia, entrámos em casa... noite escuro... O Rafa ficou-se pelo canal panda...pra variar, e mais nada queria... O jantar vinha na marmita... prontinho, mas queriamos ir estrear a banheira...
_ Vá vem tomar chuveiro com a mamã...
_ Não...
_ Vêm lá...
_ Não...
Então: (a mamã encheu a banheira de espuma)... o rafa lá brincou até se fartar...até engelhar...
Eram dez e meia, quando comemos fente a frente, cada um pela sua mão, no seu prato, olhos nos olhos... Eu e o rafa... legítimamente felizes, a estrear a cumplicidade de passar a primeira refeição, o primeiro banho, a primeira noite na casa nova...

_ Mamã, onde é a tua cama?
_ É aqui, neste quarto ao lado do teu amor...
_ Mas eu tenho medo de ficar aqui sozinho neste quarto...!!!
_ Mas a mamã fica aqui contigo até adormeceres... e amanhã levantas-te e a mamã está ali ao lado...

Qual quê... ?! nem ele nem ela, conseguiram dormir...
Era uma e meia da manhã e os dois, juntinhos, olho aberto... a calar e a ouvir os barulhos silenciosos, da casa nova... Acabei por não ir pro meu quarto...
Eram 7 horas acordei, o Rafa resmungou como sempre que não queria ir á escola, mas foi...
E agora são cinco e meia da tarde, é semana de sair mais cedo... vou lá buscá-lo e vamos ao supermercado e vamos voltar... para a nossa casa... a casa nova...
Porque já passou a a primeira noite...e como em tudo o que custa é começar...

Mas sabes o que mais custou...?
Não foi o estar sozinha, foi o... não estares aqui...

2 de Out de 2009

...Mais que tudo...


Pensei que sabia tudo sobre o amor, que já tinha vivido todas as situações que envolvem esse misterioso sentimento. No entanto esta convivência ao longe me ensinou que nada sei sobre o significado do verbo amar. O contacto fisico, o toque da pele, o afago, são menos que o verdadeiro amor pode fazer por quem amamos de verdade. A tua ausência me faz pensar, refletir... enfim, descobri que não sei viver sem ti. A falta que me fazes, é como se parte de mim não estivesse aqui. É como se eu estivesse incompleta, carente de mim mesma. Mas sei perfeitamente que isto é só falta de ti.

30 de Set de 2009

...la nuit...

Amor...os anjos esta noite não dormem...dançam...
E eu não vou chorar, vou sonhar contigo...
imagem de Miguel Veiga na net
"Gosto destas noites que trazem dentro delas esse paladar doce e embriagante a infinito. Levantar os olhos e ver o todo. Dessa sensação boa de não sentir o fim. Como se às vezes, só por instantes, o "para sempre" pudesse ser mais do que só um desejo. Gosto deste vento vaporoso que me segreda ao ouvido palavras que não sei decifrar. E da certeza que tenho de que não é tão importante assim saber traduzi-las. Apenas deixá-las fazerem parte de mim. Um raio de luar transporta uma carícia. Um brilhar mais cintilante de uma qualquer estrela leva um beijo de saudade. O som da onda que quebra no escuro da praia conta um segredo. A noite. Silencioso e discreto mensageiro este, que se veste de negro, enquanto traz e leva pedaços de nós. Pequenos pontinhos de luz agarrados ao infinito. Gosto que seja noite agora. É terna e quente a textura na minha pele. É suave e doce na minha boca. Como se fosse o beijo de um amante ausente que o momento traz até mim."

Escrito por cláudia mas deixado aqui... de mim...para ti... só porque sim ... Porque hoje estou feliz por te amar, e existires em mim, embora isso não alivíe a dor de te não ter... Esta noite, prefiro dar lugar à esperança...

bj Malu

29 de Set de 2009

...até quando...

Até quando vais fingir que assim sofres menos,
ou que assim me fazes menos sofrer?!

até quando é o teu até breve ?
até quando é o teu para sempre ?
até quando é o teu NUNCA ?
até onde achas que vais assim
até onde foste agora,
se como paraste dizias não ir a lugar nenhum?

Muda, que quando a gente muda
o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude

não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro



até quando

Gabriel "o pensador"

...empresta-me...


A vida é a arte do encontro,
embora haja tanto
desencontro pela vida.
É preciso encontrar
as coisas certas da vida,
para que ela tenha
o sentido que se deseja.

(...)

Uma vida só adquire vida,
quando a gente empresta
nossa vida,
para o resto da vida.

Vinícius de Morais

...mais ou menos ...

salade fisica


A gente pode
morar numa casa mais ou menos,
numa rua mais ou menos,
numa cidade mais ou menos
e até ter um governo mais ou menos

A gente pode
dormir numa cama mais ou menos,
comer feijão mais ou menos,
ter um transporte mais ou menos,
e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode
olhar em volta e sentir que tudo está
mais ou menos.

Tudo bem.

O que a gente não pode
mesmo, nunca, de jeito nenhum,

é sonhar mais ou menos,
é ser amigo mais ou menos,
é namorar mais ou menos,
é ter fé mais ou menos,
e acreditar mais ou menos.

Se não a gente corre o risco de se tornar
Uma pessoa mais ou menos.

- Chico Xavier -

25 de Set de 2009

...Insisto...

..."quando me pediste para olhar para ti,
lembras-te de quando me pediste para olhar para ti?
desviei o meu olhar do teu, mas tu insististe.

insististe em ficar comigo... insististe em existir em mim."...

uma foto minha...uma projecção tua

Não vás agora... por favor !!!

24 de Set de 2009

Equilíbrio vs Loucura?!

( já que não falas comigo - falo sózinha )
Parte I

- Sabes o que acho do equilíbrio?

- Não, conta-me...

- É aquilo a que chamamos de vingança ou couro-por-couro...ou mau feitío por má rês ou olho-por-olho...

- Explica melhor...

- Se me dói, para que não fiques em desvantagem, terá que te doer a ti também pra que saibas do que estou a falar, entendes?

- Não, não entendo!

- Pois não, porque não te dói!
Não estou a falar da mesquinhês da mania da igualdade de sensações, tipo: "tens que sofrer como eu, ou tens que passar pelo mesmo, para veres o que é pêra doce!... não!
Estou a falar de nós, seres racionais, e do facto comprovado cientificamente de só reconhecermos aquilo de que somos capazes... e tu não és capaz de sentir como eu... não reconheces sequer a minha capacidade, de sentir, de amar de sofrer de abdicar, de exigir para poder desistir... logo não sabes como me dói...

- Sim, mas eu sei o que sentes, eu também sinto...

- Só poderás saber a dimensão do que sinto ou do que falo, se sentires como eu, para poderes discutir, comparar, ou equilibrar como eu quero ou preciso para meu prórpio equilíbrio, caso contrário, será "chinês" a minha linguagem para ti.
- Pois tá bém ... Lá vais tu... quando voltas pra eu voltar aqui?
- Não volteeeeeeeeeeeeees... Precisava de ti aqui, A.G.O.R.A...
Parte II

- E não podes viver sem isso...?!
- Posso,mas não seria a mesma coisa, não entendes...?! - Nunca vês quando me sinto descompensada, nunca me dás a dose que preciso, quando mais preciso...
- Que merda de ressaca...!
- Que vício de caca!!!
- Porquê me torturas assim?!
- Porque existes... !!!... Logo ...
- Não vês como eu gosto de ti?! Que também preciso de ti?
- Mas eu não quero que gostes de mim, quero que sejas louco por mim!
- Queres que eu cometa uma loucura é isso?!
- `Ela´ não existe...!!!... Logo ...
Parte III

- O que é que não existe...? O meu amor...? não sabes como te amo? Porquê és assim?

- Sou como não sabes que sou... sou demasiado para ti!

- E és louca por mim?

- Louca sou, sempre fui louca... só ainda não viste o quanto por ti? Porque não te dói, não és capaz de o sentir, não és capaz de o ler em mim... É isso que me destrói!

- Espera, não te destruas assim. Tu sabes o que eu sinto, vês isso em mim, reconhece-lo... porque tens de ficar assim?

- Não posso esperar mais...quero mais!

- Não te destruas assim... ajuda-me...deixa-me poder amar-te ler-te, ver-te completamente... ainda há tanto pra descobrirmos... só depois de ler toda a mensagem, podes destruíla, e esperar, pra ver se eu serei ou não capaz de cumprir a missão...

- Beeemmmmmm...afinal também és um bocadinho L O U C O...

- Por ti sim...tu sabes que sim... Deixa-nos ir até ao fim... Nós temos o direito de pelo menos tentar ser felizes... tens que ser forte...

- Sozinha não consigo ... vai demorar muito pra mim ... E tu sabes que eu não sei estar sem ti...

- "Não tenho o direito de pedir-te que esperes por mim"...

- Não és louco o suficiente para pedir-me... para saberes que bastaria pedires-me ... E a esperança ou a história, não acabavam nunca, nem nehum dia mais, assim...

(eu comigo)

...Que eu jamais queira pedir-te amor...


Oxalá estivesse cada amante absorvido apenas pelo seu amor, docemente descuidado dos sentimentos do outro e ao mesmo tempo, e precisamente por isso, esquecido de si próprio, imerso como um peixe jubiloso na realidade do outro. Nenhum amor teria alguma vez fim. «Que eu jamais queira pedir-te amor» deveria ser o voto recíproco dos amantes, a fórmula sacramental das núpcias.
É um equilíbrio impossível, mas de que mais há-de o amor desejar viver?


«Enquanto não estiverdes em condições de ouvir o aplauso de uma só mão...».
(Ko-an de Hakuin)
Cristina Campo,
in Os Imperdoáveis - Contos de Fadas e Mistério

23 de Set de 2009

...tanto...tanto...

desenho de francois dubeau

Eu fui devagarinho, com medo de falhar,
não fosse esse o caminho certo para te encontrar.
Fui descobrindo devagar cada sorriso teu.
Fui aprendendo a procurar por entre sonhos meus.

Eu fui assim chegando, sem entender porquê...
Já foram tantas vezes, tantas assim como esta vez.
Mas é mais fundo o teu olhar, mais do que eu sei dizer.
É um abrigo pra voltar, ou um mar para me perder...

Lá fora o vento nem sempre sabe a liberdade.
A gente finge, mas sabe o que não é verdade.
Foge ao vazio enquanto brinda, dança e salta.
Eu trago-te comigo e sinto tanto, tanto, a tua falta...

Eu fui entrando pouco a pouco,
abri a porta e vi que havia lume aceso e um lugar pra mim.
Quase me assusta descobrir
que foi este sabor que a vida inteira procurei, entre a paixão e a dor.

Lá fora o vento nem sempre sabe a liberdade.
Gente perdida balança entre o sonho e a verdade.
Foge ao vazio enquanto brinda, dança e salta.
Eu trago-te comigo e sinto tanto, tanto, a tua falta...

Lá fora o vento nem sempre sabe a liberdade.
Gente perdida balança entre o sonho e a verdade.
Foge ao vazio enquanto brinda, dança e salta.
Eu trago-te comigo, e guardo este abraço, só para ti...

Mafalda Veiga

`gente perdida´

...imortal silêncio o teu...


Amor, hoje teu nome
a meus lábios escapou
como ao pé o último degrau…

Espalhou- se a água da vida
e toda a longa escada
é para recomeçar
.

Desbaratei- te, amor,
com palavras.

Escuro mel que cheiras
nos diáfanos vasos
sob mil e seiscentos anos de lava –

Hei de reconhecer- te
pelo imortal silêncio.


Cristina Campo

...Tempo...para ler e reler... Re-post

"O amor é tempo e tu não tens tempo para mim. Pelo menos agora. Amor é sorte e talvez eu não tenha sorte. Ou tenha, mas não contigo. Há pessoas a quem falta a saúde, outras uma família que as proteja, outras, a realização profissional. Há mulheres que nunca conheceram os pais, ou que não conseguem ter filhos. Há pessoas que trabalham uma vida inteira e nunca conseguem juntar dinheiro. Há pessoas a quem lhes é retirada a liberdade, ou lhes é interditada a vocação. Na existência humana há sempre uma dimensão que falha. Na minha, na qual alcancei muito mais do que alguma vez achei possível, talvez falte este tipo de amor que há tanto tempo procuro: um amor pleno, supremo e incondicional, um amor sereno e seguro que me proteja do mundo, um amor certo e firme, um amor real, em vez do mundo de sonhos em que vivo mergulhada quase desde que me conheço."

Diário da Tua Ausência, Margarida Rebelo Pinto

...Preciso de Ti...


Endoideço o mar dessa ilha
O sangue,
As unhas,
A penugem que me cobre
A cada golpe
Dessa mágoa que corta o ar
Desse buraco que me engole,
Essa falta que me desmiola

Procuro o chão dessa raiz
O tremor,
O suspiro,
O fio da navalha que me levita
A cada avanço
Dessa erva ruim que me desventra
Dessa doce flor que me espinha,
Esse veneno que me consome

Estilhaço e deixo-me partir
Saudade cravada em meus ossos
Desejo inundado em meus olhos

Entrego-me ao mal e deixo-me possuir
Sede saciada em tua carne
Fome demente em tuas mãos

Preciso de ti esta noite
O abraço
O segredo
O calor no teu olhar que me alenta
A cada desvario
Deste meu coração inquieto que me aperta
Desta minha alma aflita que me ausenta
Esse amor maior que me alimenta


Malu

22 de Set de 2009

... por enquanto...


Por enquanto preciso segurar esta tua mão - mesmo que não consiga inventar teu rosto e teus olhos e tua boca. Mas embora decepada, esta mão não me assusta. A invenção dela vem da tal ideia de amor como se a mão estivesse realmente ligada a um corpo que, se não vejo, é por incapacidade de amar mais.
Não estou à altura de imaginar uma pessoa inteira porque não sou uma pessoa inteira. E como imaginar um rosto se não sei de que expressão de rosto preciso? Logo que puder dispensar tua mão quente, irei sozinha e com horror. O horror será a minha responsabilidade até que se complete a metamorfose e que o horror se transforme em claridade. Embora eu saiba que o horror - o horror sou eu diante das coisas.

Por enquanto estou inventando a tua presença, como um dia também não saberei me arriscar a morrer sozinha, morrer é do maior risco, não saberei passar para a morte e pôr o primeiro pé na primeira ausência de mim - também nessa hora última e tão primeira inventarei a tua presença desconhecida e contigo começarei a morrer até poder aprender sozinha a não existir, e então eu te libertarei. Por enquanto eu te prendo, e tua vida desconhecida e quente está sendo a minha única íntima organização, eu que sem a tua mão me sentiria agora solta no tamanho enorme que descobri. No tamanho da verdade?
Mas é que a verdade nunca me fez sentido. A verdade não me faz sentido! É por isso que eu a temia e a temo. Desamparada, eu te entrego tudo - para que faças disso uma coisa alegre. A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe. Aquilo que provavelmente pedi e finalmente tive, veio no entanto me deixar carente como uma criança que anda sozinha pela terra. Tão carente que só o amor de todo o universo por mim poderia me consolar e me cumular, só um tal amor que a própria célula-ovo das coisas vibrasse com o que estou chamando de um amor. Daquilo a que na verdade apenas chamo mas sem saber-lhe o nome.

Clarice Lispector

... Amor Fino...hein...!?!

imagem `amar por amar´ do www.sol.sapo.pt
O amor fino não busca causa nem fruto. Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: e amor fino não há-de ter porquê nem para quê. Se amo, porque me amam, é obrigação, faço o que devo: se amo, para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há-de amar o amor para ser fino? Amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam é agradecido. Quem ama, para que o amem, é interesseiro: quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, só esse é fino.

P. António Vieira

... Espírito de contradição...


Porquê ainda não aprendeste a lêr-me meu amor?!

Tanto tempo e não sabes ainda que não sei estar sem ti...

Porque não vens?! É sempre assim quando eu mais preciso, que te afastas de mim!

Como pode resultar, se me excluis, se preferes não estar na minha vida, do que apenas um abraço, uma palavra de amor, um desengano, um alento que acalme a minha dor....tudo o que te preciso, antes de te deixar ... ?!

malu

imagem morello de jasper

"Abraça-me as arestas ternamente
Como quem abraça o próprio vento
Como quem segura, agarra o dia lento
Como a árvore vai crescendo da semente

Suspira ao meu ouvido engolidor
Os teus sonhos mais simples, mais prementes
O estertor dos teus olhares incandescentes
Toda a expressão do teu instinto e amor

E eu serei para ti a pomba nua
A águia real rompendo o céu cinzento
Que entre os turbilhões do pensamento
Te entrego a minha vida, toda tua"

Jorge Simões

21 de Set de 2009

...Insana...



“Quão enorme é a vontade de ser insana

e na insensatez dos meus actos

provocar em ti um desejo profundo de cair em meus braços.

Enorme é a insanidade

(...)”


Cláudia Jardim

...Estou na linha...


“Estou na linha divisória do entristecer!!!

Me dispam… toquem meu coração,
me coloquem nu em alma…

Para chegar-me a ela…

...

Você é suave…
mas esconde lâminas caso seja ferida…”


Romil Pereira

18 de Set de 2009

...anseios...???...`!´...???


Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!

Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais
Não valem o prazer duma saudade!

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!...
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!

Não estendas tuas asas para o longe...
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar!...
Florbela Espanca, in
"A Mensageira das Violetas"

15 de Set de 2009

...bem...



Levantas o teu corpo cansado do chão.
Afastas esse peso que te esmaga o coração.
Abres uma janela e perguntas-te quem és.
Respiras mais fundo e enfrentas o mundo de pé.


Eu venho de tão longe e procuro há mil anos por ti.
Estendo a minha mão até te sentir.
Não sabemos nada do que somos nós.
Mas sabemos tanto do que muda por não estarmos sós.


Abraça-me bem ...


Levantas os teus olhos para me olhar assim.
Procuras cá dentro onde me escondi.
E eu tenho medo, confesso, de dar.
O mundo onde guardo tudo o que mais quis salvar.


Tu dizes que não há outra forma de ficarmos perto.
Não há como saber se o caminho é o certo.
Só pode voar quem arriscar cair.
Só se pode dar quem arriscar sentir.


Abraça-me bem ...


é por isto que eu adoro a Mafalda Veiga...
porque quando toca... me toca...
quando canta, quando compõe... faz-me bem!!!

13 de Set de 2009

...limitados...

"Somos limitados por tudo o que não sentimos"
Natalie Clifford Barney


Não me faz confusão, mas faz-me escrever finalmente sobre isso, ao fim de muitas vezes deparar com as limitações de muitos dos que julgava próximos e/ou minimamente entendidos de mim... As páginas, os sites ou os blogs pessoais ou de cada um de nós:
Porque passamos horas na net, saltitando entre um e outro site, ou blog de milhentas pessoas que nem sequer conhecemos, e fazendo aquilo a que podemos chamar de zapping cibernautico, até parar num ou noutro, que nos faz ler, e procurar e quem sabe voltar...até seguir?
Cada um fala ou escreve por si, ou daquilo que sente ou que vive, ou daquilo que admira ou pelo qual se interessa. Somos livres, e ai, ainda bem, nada limitados. Ora, e cá eu, gosto de ler mais aquilo que me soa a real, aquilo que me transporta a historias pessoais de vida, muitas vezes a episódios de amor sim ou de desamor, outras de luta ou de coragem, outras de pequenos sorrisos e pingos de ternura do dia a dia, uns mais espaçados que outros esses dias, mas a maior parte das vezes, paro por sítios onde não me inspiro nem sequer "invejo" ou desdigo ou apelido de algo.
Navego pelas águas (sítios, lugares e palavras) que me levam, não pelas que me trazem.
Se leio é porque gosto e se volto é porque, ou apenas me revejo... ou simplesmente aprecio e, dá-me qualquer alimento tipo migalha de mata-sede-à-alma, saber que ainda há gente como eu neste mundo.

Não entendo porque teria eu que escrever sobre a actualidade, sobre política sobre desporto, sobre a vida dos outros ou sobre sei lá mais o quê... se não são os temas que me interessam, são as pessoas; e muitas vezes sou tão eu mesma, ao ponto de me interessar apenas por mim naquilo que escrevo, sendo obvio que a minha interpretação é de que isso não pode ser levado como egocentrismo ou egoismo, é apenas estado próprio ou natural, porque não escrevo para ninguém mais se não pra mim, e então seria surreal escrever sobre tudo aquilo ou aqueles que nada ou pouco me diz ou dizem.
Mas, porque raio é que alguém há-de pensar que escrevo sempre para atingir, apontar ou corrigir ou enganar ou maçar alguém mais, que não eu?!
O meu mundo está aqui ou além. E quem o acha medonho foge, quem se sente bem nele fica, já que não tenho portas nem janelas no meu espaço. Por outro lado, se não gostasse de visitas não tinha vindo parar à net!!!

Não conto anedotas - nunca tive geito, não mostro fotos dos grupinhos porque já passei essa fase, não discuto politica nem gosto de bons modos... Se sou como sou, escrevo como estou... sempre... e quando não escrevo, gosto de postar excertos do que leio... será defeito ou mau feitío?!
Há provavelmente quem diga que: não há pachorra, para ler aquilo... não há maneira de animar aquilo, não há ali música, não há ali humor, não há ali notícias do mundo do espectáculo, não sei como consegues expor ali, a tua vida toda naquilo...

Ora ai está... "a minha vida toda" não é só "aquilo", neste caso, isto, que possa "expor" neste ou naquele lugar virtual em que me identifico. E o que me surpreende é haverem tão poucos que reconheçam isso....que também eu, só mostro o que quero de mim... e quem vem aqui, não tem nem a ponta do véu... e não sou sempre assim, ou só assim... e o que escrevo, é de mim, e para mim, como o fiz desde a primeira linha, quer em tinta da china, quer virtual, quer em cadernos vulgares quer em folhas de jornal... sempre que me apetece estou, onde quero estar, falando da teletransportação da alma nas palavras, não na física situação ou real.
Há ainda outra face neste ou noutro qualquer meu blog ou espaço virtual, o facto de haver também quem tenha a mania da perseguição e espelhe a patética sensação de que tudo o que escrevo lhe é dirigido. E aí nem comento, apenas haja em mim...santa paciência para o ignorar...

Mas esta, sou eu, e nem todos somos iguais...
Há quem visite apenas os sítios que ficam bem, os sitios da moda, os sítios que os outros gostam, e por lá se passeie e se "vista" de igual... e esses provavelmente, pelo menos visivelmente, não se mostram por aqui, pra poderem dizer que nem sequer passam por aqui... e por isso se limitam a não estar presentes...
Então, não se sentem é isso!!! - "Lamechices, não é pra mim"... nunca ouvi argumento mais básico para a fachada que muita gente mantém...
A minha vida toda, para mim, dava um filme sim, mas só pra mim... não venho aqui ou a qualquer outro lugar deixar argumentos... desenganem-se os que por fragmentos me julgam, ou por momentos, em que a opacidade ou a transparência são linhas ténues e indivisíveis.

Escrevo sempre na primeira pessoa.... e para quem o sente, isso basta.
Aos que lêm e entendem ( o que não é o mesmo que dizer aos que comentam ) o meu obrigado por serem os meus verdadeiros amigos ou por saberem lêr-me pelo menos...
Aos limitados, não tenho que me justificar...
Malu

...não foi nada...


Talvez houvesse uma flor aberta na tua mão.
Podia ter sido amor, e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto que vai dar à tua rua ...
Ai de mim, que nem pressinto a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem: foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada; no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada: podia ter sido amor.

David Mourão-Ferreira,
in "À Guitarra e à Viola"

10 de Set de 2009

...Imaginário???!!!...

desenho de laiz retirado da net


Os homens não amam aquilo que cuidam que amam. Por quê? Ou porque o que amam não é o que cuidam; ou porque amam o que verdadeiramente não há. Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamantes estima e não vidros; quem ama defeitos, cuidando que são perfeições, perfeições ama, e não defeitos. Cuidais que amais diamantes de firmeza, e amais vidros de fragilidade: cuidais que amais perfeições Angélicas, e amais imperfeições humanas. Logo os homens não amam o que cuidam que amam. Donde também se segue, que amam o que verdadeiramente não há; porque amam as coisas, não como são, senão como as imaginam, e o que se imagina, e não é, não o há no mundo.

Padre António Vieira, in "Sermões"

9 de Set de 2009

...de outra maneira...

pintura de luis herberto

Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.

Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio".

E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos escuros, olhos de lua de
cerimônia, viríamos todos assistir a despedida.
Apertos de mãos quentes.
Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"

E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes... (primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... ) a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen... como aquela nuvem além (vêem?)

— nesta tarde de outono ainda tocada por um vento de lábios azuis...


josé gomes ferreira

8 de Set de 2009

...tragédia?!...

encerrando ciclos

"a única chance que uma tragédia nos dá:
a de reconstruir a nossa vida"
Paulo Coelho
(o monte cinco)

...tanta coisa...

Imagem de olga kapatti

"Já não serei feliz, e isso não me importa...
há muitas outras coisas neste mundo."
Jorge Luis Borges

6 de Set de 2009

..."lágrimas de marta"...

lágrimas da alma de ruby yunis

«"«-O tempo passa e não consigo aceitar.» diz Marta com um fio de prata a deslizar-lhe pelo rosto. Já passaram dois anos desde que assinou os papéis do divórcio, mas para o seu coração, que não conhece relógios nem estações, parece que foi ontem. Nelson foi o primeiro namorado, com ele idealizou viver a vida que só é possível nos contos de fadas. Casou, e rapidamente percebeu que a sua existência teria muito mais de Gata Borralheira do que propriamente de Cinderela e com o passar dos anos o seu olhar perdeu completamente o brilho. Os conflitos aumentaram, as discussões generalizaram-se e um dia, de comum acordo, decidiram que a felicidade de cada um se fazia em estradas diferentes. Durante muito tempo Marta sentiu-se tranquila, achando que tinha tomado a decisão certa. Mas o seu mundo voltou ruiu quando o ex-marido decidiu refazer a sua vida e voltou a casar. Chorou com o orgulho ferido no dia do seu casamento, sofre compulsivamente sempre que a filha vai passar os fins-de-semana com o pai, sangra da alma quando ela volta feliz cheia de novidades sobre o pai e a nova mulher dele. Neste final de Verão a pequena Ana tem estado de férias com a nova família e Marta chora ao telefone, diz à filha que a vida sem ela não tem graça e, sem se dar conta disso, coloca nos ombros de uma criança de 6 anos o peso de saber que a sua alegria origina a tristeza da mãe. «-Estás a ser infantil, mesquinha e egoísta» digo-lhe com frieza para ver se a desperto do sonambulismo em que se encontra. Não responde, mas conheço-a para perceber que “Quem cala consente”. Marta sabe que a nossa amizade é forte o suficiente para me deixar à vontade para lhe dizer não aquilo que gostaria de ouvir, mas sim, aquilo que realmente tem de escutar. «-Ainda o amas?» pergunto no intuito de perceber o que vai na sua cabeça, «-Não sei, só sei que ele está feliz e eu não estou, só sei que não encontro ninguém de jeito e ele encontrou, só sei que a minha filha adora a mulher do pai e tenho medo de a perder…» E as lamentações não têm fim. Oiço a sua voz a baixar o volume pois o meu pensamento solta-se e penso que realmente as mulheres são estranhas, são exigentes, querem sempre aquilo que não têm, sonham com o impossível e são difíceis de contentar. Dou-lhe um abraço… terno, apertado e tento aliviar o fardo que por auto-determinação carrega. Recordo-lhe que a decisão de se divorciar partiu dela, que nenhuma mulher irá ocupar no coração da filha, o lugar que ela ocupa e que provavelmente o ex-marido ainda nutrirá algum carinho por ela. Mas friamente digo-lhe que está a fazer mal ao marido invejando a sua felicidade, faz mal à filha porque a obriga a sentir-se culpada pela alegria que tem e, principalmente, faz mal a ela própria porque não aceita que avida é feita de mudanças, porque ainda acredita que para ser feliz precisa de um homem ao seu lado, porque concentra toda a sua energia nas recordações do passado, porque ainda não percebeu que a felicidade é feita de pequenos momentos especiais, e não é um estado perene, e que no dia em que se sinta bem com ela própria e recupere o brilho dos seus olhos, tudo na sua vida fluirá de uma forma muito diferente."»
publicado por sandra aqui

4 de Set de 2009

...ainda sonhas?!...

olhas através da vida como através de uma janela. contentas-te em ser espectador porque o papel de actor te parece trabalhoso demais. e traz consigo demasiados riscos. conformaste-te com tudo. o leite meio frio do pequeno-almoço quando não o tinham deixado ferver e demoravas a levantar-te; a meia amizade do João quando tinhas 14 anos e ele disse à Luísa que gostava dela, depois de tu lhe teres confessado que só conseguias ver os seus olhos ao adormecer, ao acordar; o abraço morno da tua namorada, não demasiado gélido para te congelar, mas quente de menos para te aquecer. no fundo, no fundo ainda sonhas vir a ser aquilo de que mais gostavas de te disfarçar no carnaval quando pequeno: super-homem. uma vida apagada. e, num rodopiar mágico, o homem mais forte do mundo. na verdade, na verdade sabes que nunca irás encontrar a tua cabine telefónica para mudar de pele.

publicado por brida aqui

...

"Estou há tanto tempo

à beira do precipício...

Só me falta cair!"

escreveu eugénia


acrescento apenas:

Antes de cair,

Quero voltar a sorrir

Nem que seja

Só mais uma vez!


3 de Set de 2009

...respostas...


"Grito para que me oiças,
para que faças da minha voz, o eco da tua boca fechada.
Para que embales esta melancolia como nossa e não tão minha,
que faças deste aperto do meu peito,
o amor que falta no coração.

Faltam-me lágrimas,
faltam-me designações a tudo isto que me agarra a ti,
nem nos teus braços encontro respostas,
tão pouco nos teus lábios as palavras que pensei encontrar
quando te conheci."

publicado por Pandora aqui

... A Esperança ...


Eva - imagem retirada da net
A esperança é filha do desejo, mas não é o desejo. Constitui uma aptidão mental, que nos fez crer na realização de um desejo. Podemos desejar uma coisa sem que a esperemos. Toda gente deseja a fortuna, muito poucos a esperam. Os sábios desejam descobrir a causa primitiva dos fenômenos; eles não têm nenhuma esperança de consegui-lo. O desejo aproxima-se algumas vezes da esperança, a ponto de confundir-se com ela. Na roleta, eu desejo e espero ganhar.
A esperança é uma forma de prazer em expectativa que, na sua atual fase de espera, constitui uma satisfação freqüentemente maior do que o contentamento produzido pela sua realização. A razão é evidente. O prazer realizado limita-se em quantidade e em duração, ao passo que nada limita a grandeza do sonho criado pela esperança. A força e o encanto da esperança consistem em conter todas as possibilidades de prazer. Ela constitui uma espécie de vara mágica que transforma tudo. Os reformadores nunca fizeram mais do que substituir uma esperança por outra.
Gustave Le Bon,
in "As Opiniões e as Crenças"


publicado aqui

2 de Set de 2009

...Quero o teu grito...


Não quero o teu silêncio. O teu silêncio é opressor dos nossos sentimentos. Quero que grites. Quando nos amamos não gritas. És egoísta. Guardas para ti aquilo que sentes ou não sentes nada. Eu quero partilhar aquilo que sentes. Tu não fazes amor comigo. Tu f**** em silêncio como se f**** fosse uma obrigação, um acto banal, comezinho sem interesse e sem entusiasmo. Como uma refeição sem fome e sem tempero, em qualquer dia banal da vida quotidiana. O teu orgasmo é apenas físico, mera explosão de energia, mudo, contido, sem som, nem expressão do teu rosto. F**** sem raiva, cada vez com menos raiva. Eu não quero f**** sem amor nem raiva. Não quero ser passiva, abrindo as pernas como quem abre gavetas e se deixa encher das tuas vaidades imundas. Quero esse acto como acto de amor partilhado. Quero gritar bem alto o prazer e a dor, para que o prazer e a dor penetrem nas minhas veias, no meu inconsciente, no fundo do meu passado. Quero que o teu grito fique indelével, gravado na minha memória, percorra as minhas veias como o sangue que me alimenta. Não quero que o teu grito se perca no vazio do espaço silencioso, na penumbra das noites sem história, no fundo perdido da nossa memória. Quero que os nossos gritos de amor façam calar o ruído do mar, o uivo do vento que sopra nos montes gelados do inverno do nosso viver, o grito dos fantasmas que me atormentam. Que se calem os tambores, as flautas dos poetas falhados. Quero que este grito passe de geração em geração. Se transmita no meu sangue como o pecado que herdam todos os amantes.

(João Norte )