...Às vezes dá-me p`a ler outras pra escrever, às vezes dá-me p`ouvir outras pra cantar, às vezes dá-me p`a rir outras p`a chorar... Eis que apenas "eu" e os "outros" vivemos no mesmo mundo, não assim tão longe...

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23/10/2011

...Não me atrevo...



Sonhei que você sonhava comigo. Parece simples, mas me deixa inquieta.
É um atrevimento meu supor ser capaz de atravessar — mentalmente, dormindo ou acordada— todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os seus sonhos para criar alguma situação onde, no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie de existência.
Não, não me atrevo.
Então fico ainda mais confusa, porque também não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas outra viagem chamada desejo.
 

06/10/2011

...fiz...

eu - montargil


Fiz do deserto um rio.
Das mágoas fiz magia, das lágrimas fiz perdão.
Da solidão fiz amizade.
Da chuva eu fiz lembranças e das cicatrizes fiz poemas.
Da ansiedade fiz tempo.
Das incertezas fiz caminhos e da saudade fiz carinho.

Só não sei me refazer...

publicado por #alma#

19/09/2011

...enquanto doi...



Ultimamente parece que meu coração tem pequenas plantinhas com raízes profundas plantadas nele. E elas estão sendo arrancadas uma a uma, pouquíssimas permanecem inalteradas e nem faço ideia de por quanto tempo. Cheguei aqui com uma bagagem carregada de entulhos que acumulei durante toda minha vida, algumas coisas úteis, outras nem tanto. Trouxe uma parte do meu comodismo, meus defeitos jogados no fundo da bagagem e meu sorriso por cima de tudo; um pouco como disfarce, um pouco como verdade.

E agora não sei até que ponto esse sorriso cobre todo o resto, porque a mala está muito remexida e muita coisa foi arrancada deixando uma desordem no que estava perto. Foi meio que um efeito dominó. E o fato aqui não é tristeza ou felicidade. O fato é o incômodo que isso causa e a forma como meus defeitos, hoje, estão mais à mostra que nuncaantes.

É o início do processo de transformação, de mudança de caráter. E, por mais bonitas que essas palavras aparentem ser, elas não são... Não enquanto dói...

alma in blog

11/10/2010

...à luz do silêncio...

quero-te a ti ... " tan tan tan "

Não quero memórias passadas
Águas levadas
Em rios já mortos

Não quero histórias contadas
De reis e de fadas
Em fins inglórios

Não quero horas marcadas
Nem prendas caras
Em dias de festa

Não quero formas erradas
Nem beijos nem facas
Na ferida aberta

Não quero amor ao minuto
Nem ódio eterno
Não quero o tempo indefinido e diminuto
Entre o Outono e o Inverno

Não quero abraços encolhidos
Nem sonhos perdidos
De alguém que acordou

Não quero choros escolhidos
Em mares perdidos
Que alguém nem tocou

Não quero a estreia da mentira
Nem o final da verdade
Não quero o sindroma da vida
Que embala a saudade

Não quero que me queiram nunca
Se um dia puderem não me querer
Não quero sentir qualquer morte
Sem poder morrer

Não quero
Tudo o que me quer assim
Como apontamento numa agenda

Quero a liberdade dos sentidos
Sem segundos contidos
Sem limite que me prenda

Faça-se silêncio
Entre a inércia e o acto!!!
Que eu tenho com o tempo um pacto
Onde, nem um, nem outro pode existir

Faça-se silêncio
Ouçam-me, sentir!!!

24/02/2010

...decido...


Por isso decido ir dormir agora, para que eu possa mais uma vez me iludir com a bela imagem dos olhos que tanto amo, fazendo com que mesmo sendo uma mentira que só vai durar uma noite, seja o suficiente para me fazer feliz...

07/12/2009

... o almas da minha alma ...


sim ... tanto neste como no outro blog... agora apresento apenas  pensamentos, excertos, passagens, e palavras e momentos que me marcam, de outros autores ... ( é mais uma fase... como sabeis, não há estática em mim )

já lá vão meses e anos, sempre a exteriorizar os sentimentos que as palavras me provocam, e a partilhar, quer aqui quer no (reticências)...

não se trata de exibição do ego, nem de auto promoção, até porque, tudo o que transmito, é mais ou muito mais triste e, tudo o que escrevo, é doloroso e melancólico, e por vezes motivo de dor, e não de orgulho, talvêz por isso, sinta a necessidade de pôr cá pra fora, se não rebentava a maior parte dos meus dias...

não são dias negros...credo...não vivo num purgatório... mas, sinto muito profundamente as coisas ocas, as coisas cheias de nadas que me corroiem , tanto que chegam à destruição da mente, da alma... e não valorizo tanto os bons momentos quando escrevo: numa palavra... dramatizo sim... e muito... e só escrevo quando estou mal... o que nestes ultimos meses ou anos, tem sido uma constante na minha inconstância...

tudo isto para dizer que, passado este tempo, em que escrevia, publicava, ouvia, lia e publicava, e misturava, e desistia de um blog e começava outro, e emaranhava tudo de novo, e voltava aos dois, e nunca me desfiz de nenhum, nem deste nem do reticências... achei que já não fazia sentido escrever quer num quer no outro( o que não quer dizer abandoná-los apenas que o que escrevo eu, tem agora outro lugar ).

Não quer dizer que não continue mal, que não continue a escrever compulsivamente... mas tenho desde há pouco tempo esse outro "caderno virtual", ou seja outro blog, onde publico apenas, textos de minha autoria.
os actuais e os já publicados em blogs e sites diversos, ou os apenas deixados na gaveta anteriormente em outros meus cadernos.

um dia... quando me cansar de escrever... o almas da minha alma, é o único livro, que não deixarei de ler.

o depois de tudo e o reticências continuam porque é no que vivo e leio e acompanho que me revelo também... mas o que escrevo eu, fica e sai das almas da minha alma.
eis  a nova morada :


apareçam

como sabem

detesto a solidão

27/11/2009

...abarcar...


aguarela de A Ameos

Mesmo que sejamos capazes, não conseguimos abarcar tudo.

Os barcos de hoje, ou são muito pequenos e marejam vazios, ou são muitos grandes e navegam carregados demais.
Os vazios por pequenos e inconstantes, percorrem mares à deriva, à procura de uma substância que os não afunde.
Os carregados por grandes e seguros, enchem-se do muito que os levará a um sem fim de portos em aguardas fundadas.

Por aparecer ou aparecidos, esquecidos ou por esquecer, próximos ou distantes, uns e outros, barcos vazios e barcos cheios, aglomeram-se nesse agitar de ondas que por fim, os justaporá à transbordante quietude de uma térrea chegada.

19/11/2009

...ainda...

" Ainda consigo sentir o sabor dos teus lábios, o cheiro da tua pele, o som da tua voz… Fecho os olhos e ainda sinto as tuas mãos a percorrerem o meu corpo, ainda sinto a tua respiração ao meu ouvido, ainda sinto o teu olhar fixo no meu. Quero arrancar-te de mim, mas a verdade é que ainda estás demasiado entranhado no meu corpo, na minha alma, no meu ser… Não me queres, já me disseste… Mais do que uma vez até… Dizes que gostas, que chegas até a amar, mas não me queres. E eu espero, um dia… outro…outro e outro… E nada muda… Há um momento em que tudo muda, sentes a minha falta, não sabes o que fizeste, achas que foi o maior erro da tua vida… Mas passa, no instante seguinte, e afinal não devias ter dito nada daquilo… Estavas confuso, só isso! Pedes desculpa… eu desculpo… e volta tudo ao mesmo... Eu a sentir-te em mim como sempre senti, eu cheia de ti sem saber o que fazer aos dias sem que faças parte deles. Afundo-me em lembranças e recordações… Lembro a primeira saída, o primeiro beijo, a primeira noite que passámos juntos… Lembro como ríamos abraçados na cama, lembro-me da gargalhadas de menina ingénua e das lágrimas que chorei no teu peito… Lembro-me do abraço e dos carinhos, lembro o teu sorriso e a sede que tinhas de mim… Lembro os sonhos, os planos, as promessas… Lembro com mágoa tudo o que perdi… Tudo o que nunca tive… "

"..."  m.


só não posso prometer-te que não te incomodarei mais, aliás, nada posso prometer-te pois, também sei que não gostas de promessas... mas uma coisa te prometo : de cada vez que te pareça uma despedida... não é...
de cada vez que te pareça um adeus para sempre, é um volta depressa por favor... de cada vez que te pareça que gosto de ti, menos um bocadinho, quero que saibas que não, que te amo apenas mais um bocadinho e por isso me perco mais um bocadinho, por não te ter mais um bocadinho... nunca conseguirei despedir-me de um amor que me guia, mesmo que na maior escuridão
malu

26/10/2009

...ainda que pareça tarde...


E ainda pareça tarde, ou que não seja, tanto faz se há luz e se o sol brilha nas manhãs em algum lugar: é para lá que irei! Mesmo longes, restam caminhos. Não tantos quanto sonhei, mas tantos quanto possíveis. E os possíveis só se dão na realidade: porque ela é bruta. Por isso que se lapida: porque ela é bruta!
E ainda que cansada não posso parar, não podemos, e só nos movemos se temos um norte ou mesmo um sul, qualquer ponto que não esse em que já estamos, senão morremos, sim, morremos, e há tantas formas de morrer mesmo que vivos.
Erguer a cabeça, olhar pra frente, pras coisas, pros outros, juntar os membros e sonhos espalhados, levantar!
E mesmo que seja doloroso (porque é, apesar de simples), e mesmo que seja terrível (porque é, apesar de belo), e mesmo que sejamos tão outra coisa do que desejávamos, vale viver - eu lhes digo - porque não estamos sozinhos, não estamos: basta estender os braços, ainda que pareça tarde.

06/09/2009

..."lágrimas de marta"...

lágrimas da alma de ruby yunis

«"«-O tempo passa e não consigo aceitar.» diz Marta com um fio de prata a deslizar-lhe pelo rosto. Já passaram dois anos desde que assinou os papéis do divórcio, mas para o seu coração, que não conhece relógios nem estações, parece que foi ontem. Nelson foi o primeiro namorado, com ele idealizou viver a vida que só é possível nos contos de fadas. Casou, e rapidamente percebeu que a sua existência teria muito mais de Gata Borralheira do que propriamente de Cinderela e com o passar dos anos o seu olhar perdeu completamente o brilho. Os conflitos aumentaram, as discussões generalizaram-se e um dia, de comum acordo, decidiram que a felicidade de cada um se fazia em estradas diferentes. Durante muito tempo Marta sentiu-se tranquila, achando que tinha tomado a decisão certa. Mas o seu mundo voltou ruiu quando o ex-marido decidiu refazer a sua vida e voltou a casar. Chorou com o orgulho ferido no dia do seu casamento, sofre compulsivamente sempre que a filha vai passar os fins-de-semana com o pai, sangra da alma quando ela volta feliz cheia de novidades sobre o pai e a nova mulher dele. Neste final de Verão a pequena Ana tem estado de férias com a nova família e Marta chora ao telefone, diz à filha que a vida sem ela não tem graça e, sem se dar conta disso, coloca nos ombros de uma criança de 6 anos o peso de saber que a sua alegria origina a tristeza da mãe. «-Estás a ser infantil, mesquinha e egoísta» digo-lhe com frieza para ver se a desperto do sonambulismo em que se encontra. Não responde, mas conheço-a para perceber que “Quem cala consente”. Marta sabe que a nossa amizade é forte o suficiente para me deixar à vontade para lhe dizer não aquilo que gostaria de ouvir, mas sim, aquilo que realmente tem de escutar. «-Ainda o amas?» pergunto no intuito de perceber o que vai na sua cabeça, «-Não sei, só sei que ele está feliz e eu não estou, só sei que não encontro ninguém de jeito e ele encontrou, só sei que a minha filha adora a mulher do pai e tenho medo de a perder…» E as lamentações não têm fim. Oiço a sua voz a baixar o volume pois o meu pensamento solta-se e penso que realmente as mulheres são estranhas, são exigentes, querem sempre aquilo que não têm, sonham com o impossível e são difíceis de contentar. Dou-lhe um abraço… terno, apertado e tento aliviar o fardo que por auto-determinação carrega. Recordo-lhe que a decisão de se divorciar partiu dela, que nenhuma mulher irá ocupar no coração da filha, o lugar que ela ocupa e que provavelmente o ex-marido ainda nutrirá algum carinho por ela. Mas friamente digo-lhe que está a fazer mal ao marido invejando a sua felicidade, faz mal à filha porque a obriga a sentir-se culpada pela alegria que tem e, principalmente, faz mal a ela própria porque não aceita que avida é feita de mudanças, porque ainda acredita que para ser feliz precisa de um homem ao seu lado, porque concentra toda a sua energia nas recordações do passado, porque ainda não percebeu que a felicidade é feita de pequenos momentos especiais, e não é um estado perene, e que no dia em que se sinta bem com ela própria e recupere o brilho dos seus olhos, tudo na sua vida fluirá de uma forma muito diferente."»
publicado por sandra aqui

03/09/2009

...respostas...


"Grito para que me oiças,
para que faças da minha voz, o eco da tua boca fechada.
Para que embales esta melancolia como nossa e não tão minha,
que faças deste aperto do meu peito,
o amor que falta no coração.

Faltam-me lágrimas,
faltam-me designações a tudo isto que me agarra a ti,
nem nos teus braços encontro respostas,
tão pouco nos teus lábios as palavras que pensei encontrar
quando te conheci."

publicado por Pandora aqui

02/09/2009

...Quero o teu grito...


Não quero o teu silêncio. O teu silêncio é opressor dos nossos sentimentos. Quero que grites. Quando nos amamos não gritas. És egoísta. Guardas para ti aquilo que sentes ou não sentes nada. Eu quero partilhar aquilo que sentes. Tu não fazes amor comigo. Tu f**** em silêncio como se f**** fosse uma obrigação, um acto banal, comezinho sem interesse e sem entusiasmo. Como uma refeição sem fome e sem tempero, em qualquer dia banal da vida quotidiana. O teu orgasmo é apenas físico, mera explosão de energia, mudo, contido, sem som, nem expressão do teu rosto. F**** sem raiva, cada vez com menos raiva. Eu não quero f**** sem amor nem raiva. Não quero ser passiva, abrindo as pernas como quem abre gavetas e se deixa encher das tuas vaidades imundas. Quero esse acto como acto de amor partilhado. Quero gritar bem alto o prazer e a dor, para que o prazer e a dor penetrem nas minhas veias, no meu inconsciente, no fundo do meu passado. Quero que o teu grito fique indelével, gravado na minha memória, percorra as minhas veias como o sangue que me alimenta. Não quero que o teu grito se perca no vazio do espaço silencioso, na penumbra das noites sem história, no fundo perdido da nossa memória. Quero que os nossos gritos de amor façam calar o ruído do mar, o uivo do vento que sopra nos montes gelados do inverno do nosso viver, o grito dos fantasmas que me atormentam. Que se calem os tambores, as flautas dos poetas falhados. Quero que este grito passe de geração em geração. Se transmita no meu sangue como o pecado que herdam todos os amantes.

(João Norte )

31/08/2009

Transformas-me ou devolves-me a autenticidade?



"E bastava ouvir a sua voz pelo telefone e o vazio e o cheio conjugavam-se sob a forma de angústia e alegria que se enlaçavam fortemente entre o sonho e a realidade.
Quando nos juntávamos eu tinha a sensação de estar a dar continuidade a qualquer coisa de muito importante sem identificar ou saber exactamente o quê. E depois, sentia-me como um rio se deve sentir depois de atravessar os rápidos acidentados e cascatas abruptas para passar a um leito regular com margens verdejantes e árvores majestosas onde as famílias fazem piqueniques e as crianças brincam alegremente em segurança. Ela serenava-me e tranquilizava-me o espírito só com a sua presença. Era como se ela me transformasse. Ou então, eu retornava à minha autenticidade, à minha verdadeira natureza.

A consciência que tinha era que não imaginava a minha vida e o meu mundo sem a “D”. Sempre que nos despedíamos um do outro, eu mergulhava numa nostalgia e num tédio enorme."

22/07/2009

...reclamo...

Silêncio, inoportuna ausência de som, fuga de sentimentos por designar, fonte de esperanças desmedidas e pouco credíveis. Falta de gritos, rasgões nesse discurso sem palavras, pelo ouvido, sem entendimentos sentidos, à alma provoca feridas sem precedentes conhecidos. É o gosto do toque sem pedido, do desejo sem conquista, do incondicional a tudo que é forçado. Tudo em mim anseia o encontro do corpo que de meu tem tanto de teu, e que dele, cada pedaço, o teu, reclama.

...nudez...

tenho a tua mão na minha mão e a mão do olhar invulgar que passa ao lado virando a esquina a desdobrar a pálpebra...no fim a tua mão faz gestos na minha mão e ajuda-me a ver a quebra de luz que o dia tem depois do fim...vou andando olhando o chão e a sentir a tua mão parada sobre a minha mão e não vejo o fim... tentamos acabar com todas as coisas que me fazem chorar pelo que não tenho e não sei se devo ao fim alguma coisa de mim e para quê... se traço na minha mão a tua força e vou escrevendo sobre o fundo do mar e sobre os teus olhos a seguir-me líquido e falido e frio... e o fundo do mar é tão longe e só sem fim... e a loucura que tenho e sinto dentro das nossas mãos juntas... a violência discreta e sincera de quem não sabe o que fazer com tanto dentro das mãos... à língua suja e cheia de nós pelo que deixàmos de falar e de dizer... fogos engolidos um ao outro... e assim não conseguimos fugir... não há fim nisto que sentimos.
tenho a nudez de não saber o que fazer a tanto corpo espalhado sobre todos os quartos desta casa... um corpo sem fim sem princípio sem corpo que se pareça com o nosso corpo junto... parece que engolimos um fantasma que sabe todas as moradas dentro de nós... os seus dedos longos e bicudos escutam as nossas falhadas promessas que já não dizemos um ao outro a ninguém... não há silêncio para tanto corpo... e juntos apesar de vermos o sol pela mesma janela e pelo mesmo som não sabemos o fim ao resto.

não te transformes em flores cujo as cores que não sabes dizer.

21/07/2009

...minto...

Engulo as palavras para não dizer aquilo que sinto. Tens medo de ouvir e eu tenho medo de te magoar. Olho para ti e, pelo teu olhar, vejo-me obrigada a mentir. Minto, para que possas ser feliz. Sem mim.
Tens medo de saber que eu te amo. Que ainda te amo. Que te amarei. Sempre.
Sorris, como se um "eu não te amo" fosse bonito. És tão mau. Gostas de mim e mentes também. Não queres amar. Não percebo. Não queres amar e não mo deixas fazer, por ti.

(...)
Amas e não sabes amar. Não queres sofrer.
Quem ama, sofre! E, um dia, acaba sempre por morrer desse amor.

(...)
Paramos aqui.
Não, não gosto de ti. Só um bocadinho.
E, assim, contigo, aprendi a mentir. Minto.
Minto para fingir que não te amo.

...até já...


Nunca é "normal " , existem sempre fantasmas , existe sempre o tempo numa contagem cruel que decresce até te deixar ir uma vez mais para longe da minha vida . Existe sempre o absurdo de largar a tua mão e dizer-te "até já , meu Amor" , sabendo que esse "até já" transmite uma falsa esperança de brevidade . Muitas vezes não é assim . O tempo é estranho e mal o meu olhar abandona o teu , já as saudades rebentam numa angustia que não me larga .

...buracos...

caio sempre no mesmo buraco. mudo de rua, de passeio, de cidade, mas o buraco irrompe invariavelmente entre os passos e as passas e, fatalidade suprema, vou sempre ao chão.

estava limpo, é o que vale. também não houve grande alarido, nem sangue à fartura. com o andar das coisas, ou seja, com o multiplicar dos buracos, a carapaça vai endurecendo e eu já não choro tanto.
tenho que me levantar outra vez.

talvez mude de rua, de passeio ou mesmo de cidade.
já pressinto um outro buraco mais à frente, subtil na sua sevícia, mas não posso ficar no chão.
não devo. não quero.

vou respirar fundo, fechar os olhos e avançar uma vez mais.
nesta fase, começo a escrever filosofia e chego à minha primeira sábia conclusão: não vale a pena ir de olhos bem abertos; os buracos são inevitáveis.

ricardo

...apenas uma tela...

Quisera partir numa nuvem
Com a alma pura, terna, bela.
E suspenso pairar sobre o tempo, sobre a esfera
Mergulhar no céu imenso
E longe de mim e do mundo,
Sonhar.
Pairar sobre calmarias
Apartada de tormentas,
Abraçar gentis quimeras,
Embalar, terna, a esperança,
E alcançado o infinito
Planar por entre as estrelas
Embeber a alma nelas
E continuar a Sonhar.
E que o dia e a noite juntas
Vestissem o horizonte
E salpicassem o Sonho
De cores ternas, quentes, eternas.
E o Sonho fosse
Apenas uma tela.



...sinto falta dela...

despedida

Mudei tanto. Cresci imenso. Há em mim uma Mulher que não conhecia, e que agora se reflecte no meu espelho, vive na minha casa, come na minha mesa e dorme na minha cama. Olho-a com desconfiança, ainda me estou a habituar a ela. Faz-me rir, faz-me chorar e surpreende-me a cada dia que passa. Morreu a Mulher que fui e confesso… há dias em que sinto a sua falta.