Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
Clarice Lispector
- Estás disponível para mim ?
- Não...
- Então adeus...
- Adeus Marta !!!
Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma tenho a calma,
A calma do jazigo.
Ai! Não te amo, não!
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!
Ai! Não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.
e eu que estava disposta a ficar com as sobras
vejo que nada sobrou
e eu que tanto queria juntar todos os meus pedaços
minhas sobras para te dar
vejo que não sobrou vontade alguma
depois de me veres despedaçar
em me recuperar
e eu que tanto amei a sobra de todo o amor que já não tinha
que vejo que só sobra o não ter
quem nunca me amou
afinal
sobra ainda algo
eu
Depois, a cada vez que me mataram,Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Hoje, dos meu cadáveres eu souForam levando qualquer coisa minha.
Arde um toco de Vela amarelada,O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!Como único bem que me ficou.
Pois dessa mão avaramente adunca,
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!não haverão de arrancar a luz sagrada!
Que a luz trêmula é triste como um ai.
A luz de um morto não se apaga nunca!
