...Às vezes dá-me p`a ler outras pra escrever, às vezes dá-me p`ouvir outras pra cantar, às vezes dá-me p`a rir outras p`a chorar... Eis que apenas "eu" e os "outros" vivemos no mesmo mundo, não assim tão longe...

30/09/2009

...la nuit...

Amor...os anjos esta noite não dormem...dançam...
E eu não vou chorar, vou sonhar contigo...
imagem de Miguel Veiga na net
"Gosto destas noites que trazem dentro delas esse paladar doce e embriagante a infinito. Levantar os olhos e ver o todo. Dessa sensação boa de não sentir o fim. Como se às vezes, só por instantes, o "para sempre" pudesse ser mais do que só um desejo. Gosto deste vento vaporoso que me segreda ao ouvido palavras que não sei decifrar. E da certeza que tenho de que não é tão importante assim saber traduzi-las. Apenas deixá-las fazerem parte de mim. Um raio de luar transporta uma carícia. Um brilhar mais cintilante de uma qualquer estrela leva um beijo de saudade. O som da onda que quebra no escuro da praia conta um segredo. A noite. Silencioso e discreto mensageiro este, que se veste de negro, enquanto traz e leva pedaços de nós. Pequenos pontinhos de luz agarrados ao infinito. Gosto que seja noite agora. É terna e quente a textura na minha pele. É suave e doce na minha boca. Como se fosse o beijo de um amante ausente que o momento traz até mim."

Escrito por cláudia mas deixado aqui... de mim...para ti... só porque sim ... Porque hoje estou feliz por te amar, e existires em mim, embora isso não alivíe a dor de te não ter... Esta noite, prefiro dar lugar à esperança...

bj Malu

29/09/2009

...até quando...

Até quando vais fingir que assim sofres menos,
ou que assim me fazes menos sofrer?!

até quando é o teu até breve ?
até quando é o teu para sempre ?
até quando é o teu NUNCA ?
até onde achas que vais assim
até onde foste agora,
se como paraste dizias não ir a lugar nenhum?

Muda, que quando a gente muda
o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude

não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro



até quando

Gabriel "o pensador"

...empresta-me...


A vida é a arte do encontro,
embora haja tanto
desencontro pela vida.
É preciso encontrar
as coisas certas da vida,
para que ela tenha
o sentido que se deseja.

(...)

Uma vida só adquire vida,
quando a gente empresta
nossa vida,
para o resto da vida.

Vinícius de Morais

...mais ou menos ...

salade fisica


A gente pode
morar numa casa mais ou menos,
numa rua mais ou menos,
numa cidade mais ou menos
e até ter um governo mais ou menos

A gente pode
dormir numa cama mais ou menos,
comer feijão mais ou menos,
ter um transporte mais ou menos,
e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode
olhar em volta e sentir que tudo está
mais ou menos.

Tudo bem.

O que a gente não pode
mesmo, nunca, de jeito nenhum,

é sonhar mais ou menos,
é ser amigo mais ou menos,
é namorar mais ou menos,
é ter fé mais ou menos,
e acreditar mais ou menos.

Se não a gente corre o risco de se tornar
Uma pessoa mais ou menos.

- Chico Xavier -

25/09/2009

...Insisto...

..."quando me pediste para olhar para ti,
lembras-te de quando me pediste para olhar para ti?
desviei o meu olhar do teu, mas tu insististe.

insististe em ficar comigo... insististe em existir em mim."...

uma foto minha...uma projecção tua

Não vás agora... por favor !!!

Equilíbrio vs Loucura?!

( já que não falas comigo - falo sózinha )
Parte I

- Sabes o que acho do equilíbrio?

- Não, conta-me...

- É aquilo a que chamamos de vingança ou couro-por-couro...ou mau feitío por má rês ou olho-por-olho...

- Explica melhor...

- Se me dói, para que não fiques em desvantagem, terá que te doer a ti também pra que saibas do que estou a falar, entendes?

- Não, não entendo!

- Pois não, porque não te dói!
Não estou a falar da mesquinhês da mania da igualdade de sensações, tipo: "tens que sofrer como eu, ou tens que passar pelo mesmo, para veres o que é pêra doce!... não!
Estou a falar de nós, seres racionais, e do facto comprovado cientificamente de só reconhecermos aquilo de que somos capazes... e tu não és capaz de sentir como eu... não reconheces sequer a minha capacidade, de sentir, de amar de sofrer de abdicar, de exigir para poder desistir... logo não sabes como me dói...

- Sim, mas eu sei o que sentes, eu também sinto...

- Só poderás saber a dimensão do que sinto ou do que falo, se sentires como eu, para poderes discutir, comparar, ou equilibrar como eu quero ou preciso para meu prórpio equilíbrio, caso contrário, será "chinês" a minha linguagem para ti.
- Pois tá bém ... Lá vais tu... quando voltas pra eu voltar aqui?
- Não volteeeeeeeeeeeeees... Precisava de ti aqui, A.G.O.R.A...
Parte II

- E não podes viver sem isso...?!
- Posso,mas não seria a mesma coisa, não entendes...?! - Nunca vês quando me sinto descompensada, nunca me dás a dose que preciso, quando mais preciso...
- Que merda de ressaca...!
- Que vício de caca!!!
- Porquê me torturas assim?!
- Porque existes... !!!... Logo ...
- Não vês como eu gosto de ti?! Que também preciso de ti?
- Mas eu não quero que gostes de mim, quero que sejas louco por mim!
- Queres que eu cometa uma loucura é isso?!
- `Ela´ não existe...!!!... Logo ...
Parte III

- O que é que não existe...? O meu amor...? não sabes como te amo? Porquê és assim?

- Sou como não sabes que sou... sou demasiado para ti!

- E és louca por mim?

- Louca sou, sempre fui louca... só ainda não viste o quanto por ti? Porque não te dói, não és capaz de o sentir, não és capaz de o ler em mim... É isso que me destrói!

- Espera, não te destruas assim. Tu sabes o que eu sinto, vês isso em mim, reconhece-lo... porque tens de ficar assim?

- Não posso esperar mais...quero mais!

- Não te destruas assim... ajuda-me...deixa-me poder amar-te ler-te, ver-te completamente... ainda há tanto pra descobrirmos... só depois de ler toda a mensagem, podes destruíla, e esperar, pra ver se eu serei ou não capaz de cumprir a missão...

- Beeemmmmmm...afinal também és um bocadinho L O U C O...

- Por ti sim...tu sabes que sim... Deixa-nos ir até ao fim... Nós temos o direito de pelo menos tentar ser felizes... tens que ser forte...

- Sozinha não consigo ... vai demorar muito pra mim ... E tu sabes que eu não sei estar sem ti...

- "Não tenho o direito de pedir-te que esperes por mim"...

- Não és louco o suficiente para pedir-me... para saberes que bastaria pedires-me ... E a esperança ou a história, não acabavam nunca, nem nehum dia mais, assim...

(eu comigo)

24/09/2009

...Que eu jamais queira pedir-te amor...


Oxalá estivesse cada amante absorvido apenas pelo seu amor, docemente descuidado dos sentimentos do outro e ao mesmo tempo, e precisamente por isso, esquecido de si próprio, imerso como um peixe jubiloso na realidade do outro. Nenhum amor teria alguma vez fim. «Que eu jamais queira pedir-te amor» deveria ser o voto recíproco dos amantes, a fórmula sacramental das núpcias.
É um equilíbrio impossível, mas de que mais há-de o amor desejar viver?


«Enquanto não estiverdes em condições de ouvir o aplauso de uma só mão...».
(Ko-an de Hakuin)
Cristina Campo,
in Os Imperdoáveis - Contos de Fadas e Mistério

23/09/2009

...tanto...tanto...

desenho de francois dubeau

Eu fui devagarinho, com medo de falhar,
não fosse esse o caminho certo para te encontrar.
Fui descobrindo devagar cada sorriso teu.
Fui aprendendo a procurar por entre sonhos meus.

Eu fui assim chegando, sem entender porquê...
Já foram tantas vezes, tantas assim como esta vez.
Mas é mais fundo o teu olhar, mais do que eu sei dizer.
É um abrigo pra voltar, ou um mar para me perder...

Lá fora o vento nem sempre sabe a liberdade.
A gente finge, mas sabe o que não é verdade.
Foge ao vazio enquanto brinda, dança e salta.
Eu trago-te comigo e sinto tanto, tanto, a tua falta...

Eu fui entrando pouco a pouco,
abri a porta e vi que havia lume aceso e um lugar pra mim.
Quase me assusta descobrir
que foi este sabor que a vida inteira procurei, entre a paixão e a dor.

Lá fora o vento nem sempre sabe a liberdade.
Gente perdida balança entre o sonho e a verdade.
Foge ao vazio enquanto brinda, dança e salta.
Eu trago-te comigo e sinto tanto, tanto, a tua falta...

Lá fora o vento nem sempre sabe a liberdade.
Gente perdida balança entre o sonho e a verdade.
Foge ao vazio enquanto brinda, dança e salta.
Eu trago-te comigo, e guardo este abraço, só para ti...

Mafalda Veiga

`gente perdida´

...imortal silêncio o teu...


Amor, hoje teu nome
a meus lábios escapou
como ao pé o último degrau…

Espalhou- se a água da vida
e toda a longa escada
é para recomeçar
.

Desbaratei- te, amor,
com palavras.

Escuro mel que cheiras
nos diáfanos vasos
sob mil e seiscentos anos de lava –

Hei de reconhecer- te
pelo imortal silêncio.


Cristina Campo

...Tempo...para ler e reler... Re-post

"O amor é tempo e tu não tens tempo para mim. Pelo menos agora. Amor é sorte e talvez eu não tenha sorte. Ou tenha, mas não contigo. Há pessoas a quem falta a saúde, outras uma família que as proteja, outras, a realização profissional. Há mulheres que nunca conheceram os pais, ou que não conseguem ter filhos. Há pessoas que trabalham uma vida inteira e nunca conseguem juntar dinheiro. Há pessoas a quem lhes é retirada a liberdade, ou lhes é interditada a vocação. Na existência humana há sempre uma dimensão que falha. Na minha, na qual alcancei muito mais do que alguma vez achei possível, talvez falte este tipo de amor que há tanto tempo procuro: um amor pleno, supremo e incondicional, um amor sereno e seguro que me proteja do mundo, um amor certo e firme, um amor real, em vez do mundo de sonhos em que vivo mergulhada quase desde que me conheço."

Diário da Tua Ausência, Margarida Rebelo Pinto

...Preciso de Ti...


Endoideço o mar dessa ilha
O sangue,
As unhas,
A penugem que me cobre
A cada golpe
Dessa mágoa que corta o ar
Desse buraco que me engole,
Essa falta que me desmiola

Procuro o chão dessa raiz
O tremor,
O suspiro,
O fio da navalha que me levita
A cada avanço
Dessa erva ruim que me desventra
Dessa doce flor que me espinha,
Esse veneno que me consome

Estilhaço e deixo-me partir
Saudade cravada em meus ossos
Desejo inundado em meus olhos

Entrego-me ao mal e deixo-me possuir
Sede saciada em tua carne
Fome demente em tuas mãos

Preciso de ti esta noite
O abraço
O segredo
O calor no teu olhar que me alenta
A cada desvario
Deste meu coração inquieto que me aperta
Desta minha alma aflita que me ausenta
Esse amor maior que me alimenta


Malu

22/09/2009

... por enquanto...


Por enquanto preciso segurar esta tua mão - mesmo que não consiga inventar teu rosto e teus olhos e tua boca. Mas embora decepada, esta mão não me assusta. A invenção dela vem da tal ideia de amor como se a mão estivesse realmente ligada a um corpo que, se não vejo, é por incapacidade de amar mais.
Não estou à altura de imaginar uma pessoa inteira porque não sou uma pessoa inteira. E como imaginar um rosto se não sei de que expressão de rosto preciso? Logo que puder dispensar tua mão quente, irei sozinha e com horror. O horror será a minha responsabilidade até que se complete a metamorfose e que o horror se transforme em claridade. Embora eu saiba que o horror - o horror sou eu diante das coisas.

Por enquanto estou inventando a tua presença, como um dia também não saberei me arriscar a morrer sozinha, morrer é do maior risco, não saberei passar para a morte e pôr o primeiro pé na primeira ausência de mim - também nessa hora última e tão primeira inventarei a tua presença desconhecida e contigo começarei a morrer até poder aprender sozinha a não existir, e então eu te libertarei. Por enquanto eu te prendo, e tua vida desconhecida e quente está sendo a minha única íntima organização, eu que sem a tua mão me sentiria agora solta no tamanho enorme que descobri. No tamanho da verdade?
Mas é que a verdade nunca me fez sentido. A verdade não me faz sentido! É por isso que eu a temia e a temo. Desamparada, eu te entrego tudo - para que faças disso uma coisa alegre. A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe. Aquilo que provavelmente pedi e finalmente tive, veio no entanto me deixar carente como uma criança que anda sozinha pela terra. Tão carente que só o amor de todo o universo por mim poderia me consolar e me cumular, só um tal amor que a própria célula-ovo das coisas vibrasse com o que estou chamando de um amor. Daquilo a que na verdade apenas chamo mas sem saber-lhe o nome.

Clarice Lispector

... Amor Fino...hein...!?!

imagem `amar por amar´ do www.sol.sapo.pt
O amor fino não busca causa nem fruto. Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: e amor fino não há-de ter porquê nem para quê. Se amo, porque me amam, é obrigação, faço o que devo: se amo, para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há-de amar o amor para ser fino? Amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam é agradecido. Quem ama, para que o amem, é interesseiro: quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, só esse é fino.

P. António Vieira

... Espírito de contradição...


Porquê ainda não aprendeste a lêr-me meu amor?!

Tanto tempo e não sabes ainda que não sei estar sem ti...

Porque não vens?! É sempre assim quando eu mais preciso, que te afastas de mim!

Como pode resultar, se me excluis, se preferes não estar na minha vida, do que apenas um abraço, uma palavra de amor, um desengano, um alento que acalme a minha dor....tudo o que te preciso, antes de te deixar ... ?!

malu

imagem morello de jasper

"Abraça-me as arestas ternamente
Como quem abraça o próprio vento
Como quem segura, agarra o dia lento
Como a árvore vai crescendo da semente

Suspira ao meu ouvido engolidor
Os teus sonhos mais simples, mais prementes
O estertor dos teus olhares incandescentes
Toda a expressão do teu instinto e amor

E eu serei para ti a pomba nua
A águia real rompendo o céu cinzento
Que entre os turbilhões do pensamento
Te entrego a minha vida, toda tua"

Jorge Simões

21/09/2009

...Insana...



“Quão enorme é a vontade de ser insana

e na insensatez dos meus actos

provocar em ti um desejo profundo de cair em meus braços.

Enorme é a insanidade

(...)”


Cláudia Jardim

...Estou na linha...


“Estou na linha divisória do entristecer!!!

Me dispam… toquem meu coração,
me coloquem nu em alma…

Para chegar-me a ela…

...

Você é suave…
mas esconde lâminas caso seja ferida…”


Romil Pereira

18/09/2009

...anseios...???...`!´...???


Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!

Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais
Não valem o prazer duma saudade!

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!...
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!

Não estendas tuas asas para o longe...
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar!...
Florbela Espanca, in
"A Mensageira das Violetas"

15/09/2009

...bem...



Levantas o teu corpo cansado do chão.
Afastas esse peso que te esmaga o coração.
Abres uma janela e perguntas-te quem és.
Respiras mais fundo e enfrentas o mundo de pé.


Eu venho de tão longe e procuro há mil anos por ti.
Estendo a minha mão até te sentir.
Não sabemos nada do que somos nós.
Mas sabemos tanto do que muda por não estarmos sós.


Abraça-me bem ...


Levantas os teus olhos para me olhar assim.
Procuras cá dentro onde me escondi.
E eu tenho medo, confesso, de dar.
O mundo onde guardo tudo o que mais quis salvar.


Tu dizes que não há outra forma de ficarmos perto.
Não há como saber se o caminho é o certo.
Só pode voar quem arriscar cair.
Só se pode dar quem arriscar sentir.


Abraça-me bem ...


é por isto que eu adoro a Mafalda Veiga...
porque quando toca... me toca...
quando canta, quando compõe... faz-me bem!!!

13/09/2009

...limitados...

"Somos limitados por tudo o que não sentimos"
Natalie Clifford Barney


Não me faz confusão, mas faz-me escrever finalmente sobre isso, ao fim de muitas vezes deparar com as limitações de muitos dos que julgava próximos e/ou minimamente entendidos de mim... As páginas, os sites ou os blogs pessoais ou de cada um de nós:
Porque passamos horas na net, saltitando entre um e outro site, ou blog de milhentas pessoas que nem sequer conhecemos, e fazendo aquilo a que podemos chamar de zapping cibernautico, até parar num ou noutro, que nos faz ler, e procurar e quem sabe voltar...até seguir?
Cada um fala ou escreve por si, ou daquilo que sente ou que vive, ou daquilo que admira ou pelo qual se interessa. Somos livres, e ai, ainda bem, nada limitados. Ora, e cá eu, gosto de ler mais aquilo que me soa a real, aquilo que me transporta a historias pessoais de vida, muitas vezes a episódios de amor sim ou de desamor, outras de luta ou de coragem, outras de pequenos sorrisos e pingos de ternura do dia a dia, uns mais espaçados que outros esses dias, mas a maior parte das vezes, paro por sítios onde não me inspiro nem sequer "invejo" ou desdigo ou apelido de algo.
Navego pelas águas (sítios, lugares e palavras) que me levam, não pelas que me trazem.
Se leio é porque gosto e se volto é porque, ou apenas me revejo... ou simplesmente aprecio e, dá-me qualquer alimento tipo migalha de mata-sede-à-alma, saber que ainda há gente como eu neste mundo.

Não entendo porque teria eu que escrever sobre a actualidade, sobre política sobre desporto, sobre a vida dos outros ou sobre sei lá mais o quê... se não são os temas que me interessam, são as pessoas; e muitas vezes sou tão eu mesma, ao ponto de me interessar apenas por mim naquilo que escrevo, sendo obvio que a minha interpretação é de que isso não pode ser levado como egocentrismo ou egoismo, é apenas estado próprio ou natural, porque não escrevo para ninguém mais se não pra mim, e então seria surreal escrever sobre tudo aquilo ou aqueles que nada ou pouco me diz ou dizem.
Mas, porque raio é que alguém há-de pensar que escrevo sempre para atingir, apontar ou corrigir ou enganar ou maçar alguém mais, que não eu?!
O meu mundo está aqui ou além. E quem o acha medonho foge, quem se sente bem nele fica, já que não tenho portas nem janelas no meu espaço. Por outro lado, se não gostasse de visitas não tinha vindo parar à net!!!

Não conto anedotas - nunca tive geito, não mostro fotos dos grupinhos porque já passei essa fase, não discuto politica nem gosto de bons modos... Se sou como sou, escrevo como estou... sempre... e quando não escrevo, gosto de postar excertos do que leio... será defeito ou mau feitío?!
Há provavelmente quem diga que: não há pachorra, para ler aquilo... não há maneira de animar aquilo, não há ali música, não há ali humor, não há ali notícias do mundo do espectáculo, não sei como consegues expor ali, a tua vida toda naquilo...

Ora ai está... "a minha vida toda" não é só "aquilo", neste caso, isto, que possa "expor" neste ou naquele lugar virtual em que me identifico. E o que me surpreende é haverem tão poucos que reconheçam isso....que também eu, só mostro o que quero de mim... e quem vem aqui, não tem nem a ponta do véu... e não sou sempre assim, ou só assim... e o que escrevo, é de mim, e para mim, como o fiz desde a primeira linha, quer em tinta da china, quer virtual, quer em cadernos vulgares quer em folhas de jornal... sempre que me apetece estou, onde quero estar, falando da teletransportação da alma nas palavras, não na física situação ou real.
Há ainda outra face neste ou noutro qualquer meu blog ou espaço virtual, o facto de haver também quem tenha a mania da perseguição e espelhe a patética sensação de que tudo o que escrevo lhe é dirigido. E aí nem comento, apenas haja em mim...santa paciência para o ignorar...

Mas esta, sou eu, e nem todos somos iguais...
Há quem visite apenas os sítios que ficam bem, os sitios da moda, os sítios que os outros gostam, e por lá se passeie e se "vista" de igual... e esses provavelmente, pelo menos visivelmente, não se mostram por aqui, pra poderem dizer que nem sequer passam por aqui... e por isso se limitam a não estar presentes...
Então, não se sentem é isso!!! - "Lamechices, não é pra mim"... nunca ouvi argumento mais básico para a fachada que muita gente mantém...
A minha vida toda, para mim, dava um filme sim, mas só pra mim... não venho aqui ou a qualquer outro lugar deixar argumentos... desenganem-se os que por fragmentos me julgam, ou por momentos, em que a opacidade ou a transparência são linhas ténues e indivisíveis.

Escrevo sempre na primeira pessoa.... e para quem o sente, isso basta.
Aos que lêm e entendem ( o que não é o mesmo que dizer aos que comentam ) o meu obrigado por serem os meus verdadeiros amigos ou por saberem lêr-me pelo menos...
Aos limitados, não tenho que me justificar...
Malu

...não foi nada...


Talvez houvesse uma flor aberta na tua mão.
Podia ter sido amor, e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto que vai dar à tua rua ...
Ai de mim, que nem pressinto a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem: foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada; no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada: podia ter sido amor.

David Mourão-Ferreira,
in "À Guitarra e à Viola"

10/09/2009

...Imaginário???!!!...

desenho de laiz retirado da net


Os homens não amam aquilo que cuidam que amam. Por quê? Ou porque o que amam não é o que cuidam; ou porque amam o que verdadeiramente não há. Quem estima vidros, cuidando que são diamantes, diamantes estima e não vidros; quem ama defeitos, cuidando que são perfeições, perfeições ama, e não defeitos. Cuidais que amais diamantes de firmeza, e amais vidros de fragilidade: cuidais que amais perfeições Angélicas, e amais imperfeições humanas. Logo os homens não amam o que cuidam que amam. Donde também se segue, que amam o que verdadeiramente não há; porque amam as coisas, não como são, senão como as imaginam, e o que se imagina, e não é, não o há no mundo.

Padre António Vieira, in "Sermões"

09/09/2009

...de outra maneira...

pintura de luis herberto

Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.

Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio".

E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos escuros, olhos de lua de
cerimônia, viríamos todos assistir a despedida.
Apertos de mãos quentes.
Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"

E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes... (primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... ) a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen... como aquela nuvem além (vêem?)

— nesta tarde de outono ainda tocada por um vento de lábios azuis...


josé gomes ferreira

08/09/2009

...tragédia?!...

encerrando ciclos

"a única chance que uma tragédia nos dá:
a de reconstruir a nossa vida"
Paulo Coelho
(o monte cinco)

...tanta coisa...

Imagem de olga kapatti

"Já não serei feliz, e isso não me importa...
há muitas outras coisas neste mundo."
Jorge Luis Borges

06/09/2009

..."lágrimas de marta"...

lágrimas da alma de ruby yunis

«"«-O tempo passa e não consigo aceitar.» diz Marta com um fio de prata a deslizar-lhe pelo rosto. Já passaram dois anos desde que assinou os papéis do divórcio, mas para o seu coração, que não conhece relógios nem estações, parece que foi ontem. Nelson foi o primeiro namorado, com ele idealizou viver a vida que só é possível nos contos de fadas. Casou, e rapidamente percebeu que a sua existência teria muito mais de Gata Borralheira do que propriamente de Cinderela e com o passar dos anos o seu olhar perdeu completamente o brilho. Os conflitos aumentaram, as discussões generalizaram-se e um dia, de comum acordo, decidiram que a felicidade de cada um se fazia em estradas diferentes. Durante muito tempo Marta sentiu-se tranquila, achando que tinha tomado a decisão certa. Mas o seu mundo voltou ruiu quando o ex-marido decidiu refazer a sua vida e voltou a casar. Chorou com o orgulho ferido no dia do seu casamento, sofre compulsivamente sempre que a filha vai passar os fins-de-semana com o pai, sangra da alma quando ela volta feliz cheia de novidades sobre o pai e a nova mulher dele. Neste final de Verão a pequena Ana tem estado de férias com a nova família e Marta chora ao telefone, diz à filha que a vida sem ela não tem graça e, sem se dar conta disso, coloca nos ombros de uma criança de 6 anos o peso de saber que a sua alegria origina a tristeza da mãe. «-Estás a ser infantil, mesquinha e egoísta» digo-lhe com frieza para ver se a desperto do sonambulismo em que se encontra. Não responde, mas conheço-a para perceber que “Quem cala consente”. Marta sabe que a nossa amizade é forte o suficiente para me deixar à vontade para lhe dizer não aquilo que gostaria de ouvir, mas sim, aquilo que realmente tem de escutar. «-Ainda o amas?» pergunto no intuito de perceber o que vai na sua cabeça, «-Não sei, só sei que ele está feliz e eu não estou, só sei que não encontro ninguém de jeito e ele encontrou, só sei que a minha filha adora a mulher do pai e tenho medo de a perder…» E as lamentações não têm fim. Oiço a sua voz a baixar o volume pois o meu pensamento solta-se e penso que realmente as mulheres são estranhas, são exigentes, querem sempre aquilo que não têm, sonham com o impossível e são difíceis de contentar. Dou-lhe um abraço… terno, apertado e tento aliviar o fardo que por auto-determinação carrega. Recordo-lhe que a decisão de se divorciar partiu dela, que nenhuma mulher irá ocupar no coração da filha, o lugar que ela ocupa e que provavelmente o ex-marido ainda nutrirá algum carinho por ela. Mas friamente digo-lhe que está a fazer mal ao marido invejando a sua felicidade, faz mal à filha porque a obriga a sentir-se culpada pela alegria que tem e, principalmente, faz mal a ela própria porque não aceita que avida é feita de mudanças, porque ainda acredita que para ser feliz precisa de um homem ao seu lado, porque concentra toda a sua energia nas recordações do passado, porque ainda não percebeu que a felicidade é feita de pequenos momentos especiais, e não é um estado perene, e que no dia em que se sinta bem com ela própria e recupere o brilho dos seus olhos, tudo na sua vida fluirá de uma forma muito diferente."»
publicado por sandra aqui

04/09/2009

...ainda sonhas?!...

olhas através da vida como através de uma janela. contentas-te em ser espectador porque o papel de actor te parece trabalhoso demais. e traz consigo demasiados riscos. conformaste-te com tudo. o leite meio frio do pequeno-almoço quando não o tinham deixado ferver e demoravas a levantar-te; a meia amizade do João quando tinhas 14 anos e ele disse à Luísa que gostava dela, depois de tu lhe teres confessado que só conseguias ver os seus olhos ao adormecer, ao acordar; o abraço morno da tua namorada, não demasiado gélido para te congelar, mas quente de menos para te aquecer. no fundo, no fundo ainda sonhas vir a ser aquilo de que mais gostavas de te disfarçar no carnaval quando pequeno: super-homem. uma vida apagada. e, num rodopiar mágico, o homem mais forte do mundo. na verdade, na verdade sabes que nunca irás encontrar a tua cabine telefónica para mudar de pele.

publicado por brida aqui

...

"Estou há tanto tempo

à beira do precipício...

Só me falta cair!"

escreveu eugénia


acrescento apenas:

Antes de cair,

Quero voltar a sorrir

Nem que seja

Só mais uma vez!


03/09/2009

...respostas...


"Grito para que me oiças,
para que faças da minha voz, o eco da tua boca fechada.
Para que embales esta melancolia como nossa e não tão minha,
que faças deste aperto do meu peito,
o amor que falta no coração.

Faltam-me lágrimas,
faltam-me designações a tudo isto que me agarra a ti,
nem nos teus braços encontro respostas,
tão pouco nos teus lábios as palavras que pensei encontrar
quando te conheci."

publicado por Pandora aqui

... A Esperança ...


Eva - imagem retirada da net
A esperança é filha do desejo, mas não é o desejo. Constitui uma aptidão mental, que nos fez crer na realização de um desejo. Podemos desejar uma coisa sem que a esperemos. Toda gente deseja a fortuna, muito poucos a esperam. Os sábios desejam descobrir a causa primitiva dos fenômenos; eles não têm nenhuma esperança de consegui-lo. O desejo aproxima-se algumas vezes da esperança, a ponto de confundir-se com ela. Na roleta, eu desejo e espero ganhar.
A esperança é uma forma de prazer em expectativa que, na sua atual fase de espera, constitui uma satisfação freqüentemente maior do que o contentamento produzido pela sua realização. A razão é evidente. O prazer realizado limita-se em quantidade e em duração, ao passo que nada limita a grandeza do sonho criado pela esperança. A força e o encanto da esperança consistem em conter todas as possibilidades de prazer. Ela constitui uma espécie de vara mágica que transforma tudo. Os reformadores nunca fizeram mais do que substituir uma esperança por outra.
Gustave Le Bon,
in "As Opiniões e as Crenças"


publicado aqui

02/09/2009

...Quero o teu grito...


Não quero o teu silêncio. O teu silêncio é opressor dos nossos sentimentos. Quero que grites. Quando nos amamos não gritas. És egoísta. Guardas para ti aquilo que sentes ou não sentes nada. Eu quero partilhar aquilo que sentes. Tu não fazes amor comigo. Tu f**** em silêncio como se f**** fosse uma obrigação, um acto banal, comezinho sem interesse e sem entusiasmo. Como uma refeição sem fome e sem tempero, em qualquer dia banal da vida quotidiana. O teu orgasmo é apenas físico, mera explosão de energia, mudo, contido, sem som, nem expressão do teu rosto. F**** sem raiva, cada vez com menos raiva. Eu não quero f**** sem amor nem raiva. Não quero ser passiva, abrindo as pernas como quem abre gavetas e se deixa encher das tuas vaidades imundas. Quero esse acto como acto de amor partilhado. Quero gritar bem alto o prazer e a dor, para que o prazer e a dor penetrem nas minhas veias, no meu inconsciente, no fundo do meu passado. Quero que o teu grito fique indelével, gravado na minha memória, percorra as minhas veias como o sangue que me alimenta. Não quero que o teu grito se perca no vazio do espaço silencioso, na penumbra das noites sem história, no fundo perdido da nossa memória. Quero que os nossos gritos de amor façam calar o ruído do mar, o uivo do vento que sopra nos montes gelados do inverno do nosso viver, o grito dos fantasmas que me atormentam. Que se calem os tambores, as flautas dos poetas falhados. Quero que este grito passe de geração em geração. Se transmita no meu sangue como o pecado que herdam todos os amantes.

(João Norte )

31/08/2009

Transformas-me ou devolves-me a autenticidade?



"E bastava ouvir a sua voz pelo telefone e o vazio e o cheio conjugavam-se sob a forma de angústia e alegria que se enlaçavam fortemente entre o sonho e a realidade.
Quando nos juntávamos eu tinha a sensação de estar a dar continuidade a qualquer coisa de muito importante sem identificar ou saber exactamente o quê. E depois, sentia-me como um rio se deve sentir depois de atravessar os rápidos acidentados e cascatas abruptas para passar a um leito regular com margens verdejantes e árvores majestosas onde as famílias fazem piqueniques e as crianças brincam alegremente em segurança. Ela serenava-me e tranquilizava-me o espírito só com a sua presença. Era como se ela me transformasse. Ou então, eu retornava à minha autenticidade, à minha verdadeira natureza.

A consciência que tinha era que não imaginava a minha vida e o meu mundo sem a “D”. Sempre que nos despedíamos um do outro, eu mergulhava numa nostalgia e num tédio enorme."

...enquanto...


"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas ...
Continuarei a escrever."

Clarice Lispector

...sempre uma só...

pedro e inês dematos ferreira

Todos os amantes querem os olhos nos olhos para existir completos, completamente, e provar Deus no beijo, perdido novelo de mim e de ti, sem saber que língua é de quem quando o céu se abre, devagar, devagar, doce docemente, assim se abrem os lábios lambidos de uma ternura toda, obscena e pura, à procura, novelo, sem saber o que é de quem, até que a fúria passe estreita, corrente lenta, entre os dedos, i felt the earth move through my hands like the trembling heart of a captive bird.

Pedro e Inês, Cash e Carter, London e Troup, dormem juntos de não serem até que a morte os separe, porque se em vida uma só carne, sempre uma só.

É muito fácil o amor assim. É o mais fácil amor, só sede de e só água em. É por isso que o mar de mim se abre num sulco claro e bem navegado, ainda que tema, e eu temo, mesmo uma pequenina sombra, se inesperada, me assusta, temerária não sou, vou adiante na mesma. Tremo. Adiante.

A minha fé nasce da minha carne: se não for tudo, não quero nada.
Quando morrer quero que me deitem ao lado do meu amor.

29/08/2009

...a minha ausência de ti...


Foi tal e qual o inverno a minha ausência de ti,
prazer dum ano fugitivo:
dias nocturnos, gelos, inclemência;
que nudez de dezembro o frio vivo.

E esse tempo de exílio era o do verão;
era a excessiva gravidez do outono
com a volúpia de maio em cada grão:
um seio viúvo, sem senhor nem dono.

Essa posteridade em seu esplendor
uma esperança de órfãos me parecia:
contigo ausente, o verão teu servidor
emudeceu as aves todo o dia.

Ou tanto as deprimiu,
que a folha arfava
e no temor do inverno desmaiava.


William Shakespeare, in "Sonetos"

Tradução de Carlos de Oliveira

...Continuo a mesma pessoa...

oxalá esteja certa essa teoria de que "o gelo conserva"

...sim... tenho andado calada... transparente ao máximo como sempre...se nada em mim existe nada posso partilhar, nem pensamentos nem sensações, nem reflexões básicas, nem nada de nada... sinto-me oca, nos últimos tempos, completamente inanimada... e se assim me sinto, nada posso exteriorizar aqui que, possa ter algo de suculento... porque eu escrevo sempre na mesma pessoa, na primeira pessoa, e se não há nada pra escrever, simplesmente, não escrevo...

...não, não estou bem... nem irei estar durante muito tempo...pelo menos até que o amor me volte a tocar, a fazer acreditar que existe...

Continuo a mesma pessoa, tanto alegre como chorona, tanto mau feitío como sociavel qb, tanto com vontade de rir como de cantar, ou de ouvir e ler, ou de escrever e calar... mas, estou confusa, muito confusa...nunca pensei que pudessem enganar-me assim, ou magoar-me assim...

E continuo sempre a pensar que eu poderia ter feito qualquer coisa de diferente... parece karma, estar sempre a assumir as culpas do que os outros não conseguem despertar em mim...e fico sempre com a mesma pergunta dentro do meu coração: "será que fiz tudo?"...será que amanhã ainda me amas?"

E a amargura não desaparece...
E a saudade de sentir-me parte da vida de alguém, aliás, a parte, dessa vida, desse alguém, a necessidade de sentir-me querida e importante destroi-me, e a pouco e pouco abafa toda a saudade, toda a vontade de acreditar, toda a esperança de reencontrar esse amor, esse alguém.

Hiberno mais uma vez, e espero que o inverno não seja longo demasiado, e se continuo a mesma pessoa, não há como sentir de outra forma: preciso de luz, de sol, de ti, na minha vida...

18/08/2009

...às vezes...


As vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas…
O tempo passa… e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos
... e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!

Bob Marley

29/07/2009

...da minha alegre casinha...


Ele chamava-lhe “Nina”.
Ela chamava-lhe “Nino”
Não havia maior testemunho que este tratamento de carinho. Existia. Era real.

Apaixonaram-se sem medos, e se entregaram sem guerras nem mágoas nem conflitos, sem segredos um ao outro, e abancaram um no outro, porque simplesmente estarem juntos para o que desse e viesse era bom. Eram felizes. Nada deviam a ninguém, e de ninguém tiveram para ouvir provocações, ou lições.

Sim, ingenuamente, se amaram. E não podem negá-lo.
Sim, naturalmente formaram uma vida, um casamento, uma família, e sonharam.

Houve um tempo em que todas as coisas que faziam, eram boas, todas as coisas que diziam eram mimos, todas as canções que ouviam eram suas, todas as pessoas que os viam reflectiam, um casal feliz, um casal bonito, um amor verdadeiro. Existia. Era real.

Houve um rebento lindo, um inquestionável filho desse amor.
E existe…cresce assustadoramente, é a prova viva de que esse amor existiu.
Chama-se Rafael. Ela chama-lhe Rafa ou Rafinha e ele chama-lhe filho.

Houve brincadeiras, gargalhadas, passeios, anseios, sonhos partilhados, caminhos fáceis e difíceis em que se sentiram guiados, acompanhados, palmilhados a dois… Mas depois cada um foi pró seu lado… Surgiram os problemas, os ciúmes mútuos, as dificuldades, os desencontros de ambições ou de interesses, os afastamentos, as discussões, os silêncios, as desilusões acumuladas, as decepções acumuladas…
E, as boas recordações?!
Foram camufladas, os bons momentos foram guardados, num lugar onde não mexem mais, onde esquecem, onde existem são reais mas não se tocam… são preciosas demais.

Em muitos casamentos, aparecem esses desencantos, de ambas as partes e, nunca pensamos quando casamos, que isso seja o nosso caso, que vá acontecer connosco… e não acontece… não aconteceu … Só acontece, quando não há maturidade ou vontade forte o bastante para quando os problemas aparecem, saber vivê-los, ultrapassá-los, a dois, e de voltar a encantar, voltar a dar...e neste lar foi o que houve ou não houve.
Pudera, se não, não estavam hoje separados.
Erraram os dois, fracassaram ambos sim, se não, não se sentiam culpados os dois.

Houve uma manhã em que ele não pediu, exigiu o divórcio…. Foi um ultimato cruel, sem margem para dúvidas, a sua intenção de livrar-se dela era prioritária, acima daquele carinho que existira, acima do amor, da vida, do filho, do casamento, de tudo o que era real… e que embora adormecido existia.
Não houve forma de salvar aquela união, que ambos assumiram, que, já não fazia sentido. E antes dos papéis serem entregues, ele sublinhou, que era mesmo isso que queria… com ela nunca mais quereria nada, mas queria tudo, tudo o que havia, tudo… em troca de um amor que raivosamente negou, e nega até hoje, alguma vez ter sentido. E jurou que a iria esquecer, porque a dor do que sentia nesse dia, era real.

Só houve uma diferença entre os dois.
Ele que dizia que a amava como nunca, injustamente acusou de muita coisa e, de nada de nada perdoou, ou tolerou ou tentou salvar. Como hoje escreve “Nada tinha a perder com o divórcio” e hoje, diz que só agora aprendeu a amar (a outra).
Ela, que ele dizia que nunca o tinha amado, tinha-o sempre perdoado…tudo, e tudo incluindo o intolerável vivia, para manter o quase nada que ainda tinha, mas que existia…era real.

Resumindo numa palavra ACABOU… e foi há quase dois anos.
O divórcio saiu um mês e pouco depois.

Hoje, ele vive outro amor, outra mulher desde poucos meses depois disso, outras crianças, outras ou as mesmas músicas, noutras ou nas mesmas cores, e abafa as lembranças.
Hoje, ela ainda está sozinha, como antes estava, e espera para viver outro amor, outro homem, mas sempre a mãe da mesma criança de todos os dias, dias sem cor, dias em que vive ou não vive, todos os seus amores, apenas de lembranças.
Amores que são reais… existem… e nunca o negou, nunca, de cada vez que amou.

Divide-se, sempre que acaba um casamento, o recheio, o valor da casa, os cds, os filmes, os livros, os trapos, os tarecos… mas não se consegue partir ao meio, o coração, e a memória.
Não podem lembrar-se um apenas das coisas boas e outro apenas das coisas más… Os dois lembram de tudo…. Embora até o possam negar para não ferir mais.

E como se divide um filho?
O rafinha tinha dois anos… hoje tem 4, e é dos dois, e partilham-se as despesas, e o desfrute da sua presença em casa, e ambos o amam por igual, embora, ambos já não formem um casal, e por isso mesmo, esse filho não pode dividir-se, entregar-se aos dois em simultâneo, e ainda sofre mais que os dois, porque tem que revelar-se feliz, com cada uma das pseudo circunstancias que ambos vivem à posterior divórcio, e a sua felicidade só seria real, se ambos, estivessem com ele… E não é o primeiro filho de pais separados…e todos sabemos, que antes bem, com um e com o outro em separado, do que com os dois, mal.

Mas isso não existe, a felicidade, não é real.
E vai-se digerindo, vai-se vivendo, vai-se lembrando, vai-se esquecendo… até que acontecem as coisas, que têm que acontecer, e cai-se na real:

Havia uma casa, linda, desenhada por ela com longas dissertações sobre as divisões e o seu futuro com ele, com tudo ali escolhido ao pormenor para ser o melhor para a vida pelos dois, enquanto esperavam esse filho. Foi assim a cor decidida, só quando souberam o sexo: Se fosse menina (Eva) seria Rosa Velho; se fosse menino (Rafael) seria Azul. Lá está… e lá, foram muito felizes, mas não para sempre… porque também foram muito infelizes, nos diversos momentos guardados no tal lugar onde não se mexe, de cada um dos três elementos desta família desfeita.

E hoje, ela passou ali, e ao que viu e doeu, tirou uma foto ao placar que diz “vendido” na janela. Sem saber como controlar, salta o coração do peito e a “nina” ainda chora porque, afinal era real o sonho, existiu… mas ACABOU… finalmente, para bem da estabilidade emocional dos três ACABOU. Mas muito, muito, muito, aqui ficou.

Resume-se a diferença entre os dois: Nunca a nina diria que “Nada tinha a perder”!
Agora é voltar a jogar… e quem sabe, talvez deixar o amor vencer!!!

Agora é mudar... mudar tudo... agarrar no rafinha e partir, instalarmo-nos noutra casinha, e viver... enquanto ele que nada tinha a perder (ganha) uma nova vida pra se instalar, com o seu novo amor, e com os filhos dos outros... e esquecer!

27/07/2009

...abraça-me...


Nada mais... Apenas um abraço, e que me lambesses as lágrimas, e até poderia amar o teu silêncio, se fosse assim... Mas deste-me muito mais... lágrimas... Se há coisa que vou lembrar de ti, não será a forma como algum dia disseste amar-me, ou o sabor desse amor, mas a indiferença, e a crueldade, como dispensaste tudo o que sentia por ti. Nada mais... Não te peço nada mais... apenas que me deixes... pra que eu possa esquecer.

23/07/2009

...Sombra...

Tens a paranóia do silêncio.Tenho um medo que é imenso, de acordar e não te ver. Presa por quereres a liberdade, e essa história da saudade com que insistes em te defender. Anda, insulta-me agora! Está na hora de sentires a minha pele. Sou como um lobo, o fogo que goza, raposa que cruza o teu sonho mais fiel. Sei de um lugar para ti onde há lugar para mim. E razões para me esconder.

Pedro Abrunhosa
(excerto de sombra)

...espera por mim...

Vais tão depressa, com tanta pressa de chegar ao teu fim. Vais perseguindo as miragens que ultrapassas e engoles os sonhos de tanto querer chegar primeiro, sem intervalos. Olha esse intervalo imenso que já nos separa, vê esse lado negro da sombra e da distância... É realmente um abismo entre nossos trilhos... Será que me desviei do teu caminho? Será que ainda te sigo, se vais tão longe e não consigo acompanhar-te? Será que essas linhas das nossas vidas, com tantas voltas se desenrolaram, se desuniram? Já não têm abraços esses laços... Será que me distraí demasiado com a vida, será que me perdi? Espera por mim...
malu

is this the real life?


foto no olhares


Is this the real life?
Is this just fantasy?

Caught in a landslide
No escape from reality
Open your eyes
Look up to the skies and see
I'm just a poor boy,
I need no sympathy
Because I'm easy come, easy go
A little high, little low
Anyway the wind blows,

doesn't really matter to me...

22/07/2009

...trago-te...


"Trago-te no riso enterrado, nas lágrimas que me lançaste, escadas de incêndio para a sabedoria da felicidade, na pele escaldada pelo brilho da noite, depois do mar. Falámos demasiado para que eu recorde do que falámos, vivemos demasiadas vidas para que eu as possa separar. Para que eu me possa separar de ti"
Inês Pedrosa
(Fazes-me Falta)

...escrever-te perdidamente...

No texto ou carta abaixo... substitui apenas, açucar por mimos, bela por malu, e rita por outro nome e tenta responder-me : O amor...a vida... a dor... é cíclica? Passamos nós tanta vez pelo mesmo e, não aprendemos de nenhuma das vezes ? Já vivi isto... já te escrevi isto... e no entanto aparece aqui, escrito em 13/03/1920. por alguém que não eu, mas tenho a certeza, que como eu... será que ela te escreveu primeiro? É por estas e por outras, que escrevo...porque sei que um dia, me vou reencontrar... e é por estas e por outras, que encontro escritas, que teimo em não duvidar na (re) reencarnação, ressurreição, repetição, respostas... que só quando leio ou escrevo me dão. E desta vez, eu, ou eu nos outros, escrevi sim, só posso ter sido eu, para ti... ou relê e vê...


malu

"(...) Em breve poderei sair contigo e se me não apetecer sair de dia, sairei de noite que é ainda mais poético e mais cómodo; não és da minha humilde opinião? Tu, afinal, com o teu muito amor por mim, mostras precisamente o contrário, visto que me podes prejudicar o mais possível e afinal por uma coisa sem importância nenhuma mas a que todos os outros, na sua estupidez, acharão imensa. E, de resto, eu ando sempre contrariadíssima, em parte alguma estou bem e mostro-me, por conseguinte, desagradável e impertinente, coisa que eu não sou absolutamente nada. Chego muitas vezes a ser malcriada e hoje, por exemplo, estava verdadeiramente insuportável. Desta forma, não achas melhor adiar os nossos passeios por algum tempo? É melhor, muito melhor por tudo. Obrigada pelo chá e pelos bolos; hei-de pagar-lhe tudo isso, um dia que, se Deus quiser, virá bem perto. Sou muito tua amiga, sabes? E tenho a certeza que tu és o meu maior amigo, o mais dedicado, o melhor de todos. Como eu o vi hoje bem! Como tu és leal e bom! Tão diferente de todos os outros homens que para te pagar o que no futuro hei-de dever-te, será pequena a minha vida inteira, mesmo que ela seja imensa. Os outros, amando as mulheres, são como os gatos que quando acariciam, é a eles que acariciam. Amar não é ser egoísta, é tantas, tantas vezes o sacrifício de nós próprios! A dedicação de todos os instantes, um interesse sem cálculo, uns cuidados que em pequeninas coisas se revelam e o pensamento constante de fazer a felicidade de quem se ama. É assim que eu compreendo e que eu sonho um grande amor que nunca se esqueça. Em tão pouco tempo, como pudeste tu gostar de mim, assim como gostas? Gostaste assim da Rita, assim da mesma forma, assim da mesma maneira? E no entanto, meu querido amigo, talvez melhor te fosse casares-te com ela! Ela sempre é uma rapariga com a alma nova, sem recordações, sem saudades. Hei-de ter dias, em que todo o teu afecto não conseguirá arrancar-me a mim mesma. A grande alma revoltada, a grande alma de artista que aprendeu a conhecer a vida, há-de sentir-se triste em muitas, em muitas horas! Tu serias talvez mais feliz com a Rita, ela talvez fosse capaz de te fazer mais feliz. A tua alma é simples, tanto quanto a minha é complicada. Tu és simplesmente, lealmente um homem, e, eu... eu sou uma mulher, e uma criança, e uma artista que se julga alguém. Vê, meu amor, que complicação!
No entanto, ama-se quem se ama e não quem se quer amar. (...) Ela não seria tão exigente, eu sou-o muitíssimo. Preciso de toda a vida, de toda a alma, de todos os pensamentos do homem que me tiver. Preciso que ele viva mais da minha vida que da vida dele. Preciso que ele me compreenda, que me adivinhe. A não ser assim, sou criatura para esquecer com a maior das friezas, das crueldades. Eu tenho já feito sofrer tanto! Tenho sido tão má! Tenho feito mal sem me importar porque quando não gosto, sou como as estátuas que são de mármore e não sentem. (...) De ti gosto muito e porque vejo em ti aquilo que nunca encontrei: a máxima lealdade com a máxima ternura, feita de um verdadeiro interesse pela minha felicidade, tanto como pela tua. Impossível pedir mais a um homem que é o animal mais egoísta que pisa a terra! Nunca serei ingrata e nunca por querer te farei mal. Porque nos encontramos nós? Estranha coisa o destino das nossas vidas, não é? Que elas andem sempre juntas e que nunca sonhem caminhos diferentes quer eles sejam tapetados de rosas, quer as saudades e os lírios roxos os vistam de mágoa e de tormento. Não é assim, amor meu? (...)

Tu então comparas a pressa de passares a vida junto de mim, com a pressa em tirar o retrato?!!... Ora, não há!...

Quero açúcar,
já disse, já disse, já disse, já disse.

Saudades. Gosto de ti.
Bela"
Florbela Espanca in «Perdidamente»

...reclamo...

Silêncio, inoportuna ausência de som, fuga de sentimentos por designar, fonte de esperanças desmedidas e pouco credíveis. Falta de gritos, rasgões nesse discurso sem palavras, pelo ouvido, sem entendimentos sentidos, à alma provoca feridas sem precedentes conhecidos. É o gosto do toque sem pedido, do desejo sem conquista, do incondicional a tudo que é forçado. Tudo em mim anseia o encontro do corpo que de meu tem tanto de teu, e que dele, cada pedaço, o teu, reclama.

...nudez...

tenho a tua mão na minha mão e a mão do olhar invulgar que passa ao lado virando a esquina a desdobrar a pálpebra...no fim a tua mão faz gestos na minha mão e ajuda-me a ver a quebra de luz que o dia tem depois do fim...vou andando olhando o chão e a sentir a tua mão parada sobre a minha mão e não vejo o fim... tentamos acabar com todas as coisas que me fazem chorar pelo que não tenho e não sei se devo ao fim alguma coisa de mim e para quê... se traço na minha mão a tua força e vou escrevendo sobre o fundo do mar e sobre os teus olhos a seguir-me líquido e falido e frio... e o fundo do mar é tão longe e só sem fim... e a loucura que tenho e sinto dentro das nossas mãos juntas... a violência discreta e sincera de quem não sabe o que fazer com tanto dentro das mãos... à língua suja e cheia de nós pelo que deixàmos de falar e de dizer... fogos engolidos um ao outro... e assim não conseguimos fugir... não há fim nisto que sentimos.
tenho a nudez de não saber o que fazer a tanto corpo espalhado sobre todos os quartos desta casa... um corpo sem fim sem princípio sem corpo que se pareça com o nosso corpo junto... parece que engolimos um fantasma que sabe todas as moradas dentro de nós... os seus dedos longos e bicudos escutam as nossas falhadas promessas que já não dizemos um ao outro a ninguém... não há silêncio para tanto corpo... e juntos apesar de vermos o sol pela mesma janela e pelo mesmo som não sabemos o fim ao resto.

não te transformes em flores cujo as cores que não sabes dizer.

21/07/2009

...Fado Nice...

Good Night ladies and gentlemen
I wanna sing a folk song from Portugal
this song is called the Fado.

Bonsoir madame et messieurs
je vai chanterai une chanson typique de Portugal
Il s'appelle Le Fado

Boa noite caros colegas das tascas, adegas e garrafões
eu vou cantar aquela canção que me está no coração
aquela canção que nos trouxe o tratado de Maastricht
a nossa entrada para C.E.E.
é o fado song, o fado da C.E.E.
e é assim:


EntraPacheco

Vi-te um dia toda nice
Cheiravas a pó de rice
estavas mesmo beautiful
mas tu never me ligaste
never, never telefonaste
and i see you toda azul.

Disse-te girl you are soo mine
chavala your are soo fine
my love is soo for you
I like you ao quadrado
You make me marado
Je Te aime, I love you too

I believe no amor
tu és just like uma flor
És meu sonho and my dream
tão fofinha e gostosa
Crazy, crazy and formosa
you're just like an ice crem

E ao terminar esta song
fado triste I am alone
tu partiste, bad girl
my heart ficou à rasca
foste com um gajo da passa
my body is now for sale!

Abaixo as tias ingratas


Autor: Fernando Ribeiro
Canta: Tuna Académica UTAD

...esperança...

Se eu conseguisse viver este dia,
O dia que hoje passa,
Como se fosse o último da minha vida...
Esmagando ressentimentos,
Aleijando-me de toda a podridão
Que me aniquila a Graça,
Que me enegrece a alma
E enluta o coração...

Ai, se eu pudesse suster
Os passos incertos,
No caminho errado,
Do meu viver !
E ao passado não voltar,
E saber esquecer,
Esquecer e perdoar ! ...

Se conseguisse reter
A lágrima que teima,
Dolorida,
Soltar-se dos olhos vidrados,
E que teima
Os rostos enrugados
Dos vencidos da vida ...

Se eu pudesse evadir-me
Deste negro cárcere,
Desta dura e fria prisão
Onde, há muito, vivo
Abandonado,cativo,
Nos braços da solidão...

Se eu conseguisse viver
Só dentro de ti,
E tu, bem dentro de mim,
Mas sem ninguém entender
O nosso viver assim ...
Isolado, neste mundo,
Onde a amargura se esconde,
Alimentando uma esperança
Que virá, não sei bem donde ...
- Do horizonte ? Do céu? Do mar?...

Na chama do amor vivendo,
O coração não se cansa.
Não se cansa de esperar! ...

José Maria Lopes de Araújo
do livro " Outono da Vida "

...minto...

Engulo as palavras para não dizer aquilo que sinto. Tens medo de ouvir e eu tenho medo de te magoar. Olho para ti e, pelo teu olhar, vejo-me obrigada a mentir. Minto, para que possas ser feliz. Sem mim.
Tens medo de saber que eu te amo. Que ainda te amo. Que te amarei. Sempre.
Sorris, como se um "eu não te amo" fosse bonito. És tão mau. Gostas de mim e mentes também. Não queres amar. Não percebo. Não queres amar e não mo deixas fazer, por ti.

(...)
Amas e não sabes amar. Não queres sofrer.
Quem ama, sofre! E, um dia, acaba sempre por morrer desse amor.

(...)
Paramos aqui.
Não, não gosto de ti. Só um bocadinho.
E, assim, contigo, aprendi a mentir. Minto.
Minto para fingir que não te amo.

...até já...


Nunca é "normal " , existem sempre fantasmas , existe sempre o tempo numa contagem cruel que decresce até te deixar ir uma vez mais para longe da minha vida . Existe sempre o absurdo de largar a tua mão e dizer-te "até já , meu Amor" , sabendo que esse "até já" transmite uma falsa esperança de brevidade . Muitas vezes não é assim . O tempo é estranho e mal o meu olhar abandona o teu , já as saudades rebentam numa angustia que não me larga .